Em Foco 726

Padre António Sousa Fernandes, de 79 anos, esteve com a população a combater o fogo

Pároco de Ventosa pede «ânimo» aos familiares dos quatro mortos no incêndio

Padre António Sousa Fernandes, de 79 anos, esteve com a população a combater o fogo

O pároco de Ventosa, em Vouzela, onde morreram quatro pessoas na sequência do incêndio florestal no passado domingo, dia 15, falou num “choque muito forte” depois de uma noite no terreno ajudando quem combatia o fogo.

Em declarações à Comunicação social, o padre António Sousa Fernandes disse hoje que vai pedir aos familiares dos mortos que “ganhem coragem”.

“É um choque muito forte, porque são pessoas com quem convivíamos e de um momento para o outro deixam-nos”, acrescentou, emocionado.

“Apanhado desprevino e em choque”, o sacerdote que vai fazer 80 anos, em janeiro do próximo ano, esteve ao lado da população a tentar apagar os fogos.

“Só agora é que estou um bocadinho livre; estou estoirado”, disse o entrevistado que é natural do Sátão.

O padre António Sousa Fernandes andou “em todos” os fogos, dado que perante a situação dos incêndios foi preciso “pegar nos meios disponíveis”; os bombeiros estavam no “início do fogo” numa freguesia a 16 quilómetros de distância.

“Não podia haver bombeiros aqui. Eram baldes de água, ir entusiasmando as pessoas para se ajudarem uns aos outros, ardeu tudo”, relata.

Segundo o pároco da Ventosa, Vouzela, agora é preciso estudar “caso por caso o apoio que se puder dar”.

Pároco na região há 48 anos, o sacerdote explica que “existe prevenção” e tratamento das terras em alguns sítios, mas considera que “o exemplo tem de vir de cima”.

“As coisas que são do Estado são exemplo para os outros e, como não estão limpas, os outros também se vão descuidando”, observa.

Até ao momento, 31 mortos e 51 feridos é o balanço da Proteção Civil dos incêndios que lavram desde este domingo em Portugal continental e envolvem mais de três mil efetivos no seu combate.

“O nosso fim é breve e não sabemos nem quando, nem como, nem onde é que nós terminamos a vida na terra. E que o que lhes aconteceu a eles, podia ter acontecido a nós”, sublinha o padre António Sousa Fernandes.

A Conferência Episcopal Portuguesa publicou a 27 abril deste ano a nota pastoral ‘Cuidar da casa comum – prevenir e evitar os incêndios’, onde alerta para o “flagelo” dos incêndios e pedia a toda a sociedade que se mobilize para contrariar uma “chaga” de “proporções quase incontroláveis”.

Catarina Martins em Oliveira de Frades e Vouzela

A Coordenado do Bloco de Esquerda, deputada Catarina Martins, vai estar em Oliveira de Frades e em Vouzela no próximo sábado, dia 28, para se inteirar da situação resultante dos graves incêndios florestais, ouvir as populações, as associações florestais e as autoridades autárquicas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.