Em Foco 722

Trabalhadores cristãos preocupados com “alta precarização das relações laborais”

Movimentos de Trabalhadores Cristãos de África, América, Ásia e Europa, 42 organizações no total e cerca de 120 delegados, partilharam preocupações comuns de “desemprego, falta de emprego digno e alta precarização das relações laborais” que geram “dor, sofrimento, desespero, violência, emigração, guerra e morte”.

“O sistema económico vigente, que visa apenas o lucro, sustenta-se a partir de um modelo de relações laborais baseado no enfraquecimento dos direitos do trabalho e sindicais, da negociação coletiva e dos direitos sociais e no empobrecimento e desumanização dos trabalhadores, que atingem a vida de milhões de pessoas e famílias inteiras sem distinção de idade, género, raça ou lugar”, afirma os Movimentos de Trabalhadores Cristãos.

“Terra, Teto e Trabalho para uma vida digna” foi o tema do seminário internacional e assembleia geral do MTC, entre 15 e 21 de julho, que abordou esta imensa reorganização social, pressionada pela Globalização e pelas ideias neoliberais, que tem tido uma enorme expressão no mundo do trabalho.

Na declaração final, os trabalhadores cristãos afirmam que puderam “partilhar a vida” e “experimentar a solidariedade e fraternidade”. Assumem “a dor de toda a família trabalhadora mundial” e querem “ser e mostrar sinais de esperança” e promover processos de humanização.

“Assumimos o nosso compromisso, o nosso trabalho e as nossas lutas com todos os trabalhadores do mundo, seja no âmbito local, regional e mundial”, realçam.

A Liga Operária Católica/MTC de Portugal esteve representada pela coordenadora nacional Glória Fonseca, o assistente nacional, padre Manuel Simões, e pela antiga coordenadora nacional Fátima Almeida, da LOC/MTC da Arquidiocese de Braga.

Fátima Almeida também participou na condição de candidata a Copresidente do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos e foi eleita com os votos de todos os movimentos presentes para um mandato de quatro anos.

De recordar que o Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do encontro onde pediu que “a voz dos trabalhadores” continue “a ressoar no seio da Igreja”.

“Terra, casa e trabalho significa lutar para que cada pessoa viva de maneira conforme à sua dignidade e ninguém seja descartado”, assinalou o pontífice argentino numa alusão ao tema do encontro dos trabalhadores cristãos em Ávila, Espanha.

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