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Bispos europeus criticam decisão de Trump de retirar EUA do Acordo de Paris sobre o clima

A Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) sublinha que a iniciativa de Donald Trump coloca em risco capital de confiança que tinha sido conquistado com o Acordo de Paris para redução dos efeitos das alterações climáticas.

Os bispos católicos da Europa dizem que a decisão de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América, de retirar o seu país dos acordos climáticos de Paris “é uma séria ameaça à proteção ambiental a nível internacional”.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, o presidente da COMECE, cardeal Reinhard Marx, refere que esta decisão, “embora não surja como uma surpresa” vem colocar em xeque “todo um contexto de confiança que tinha sido conseguido com a conferência sobre o clima” na capital francesa.

Antes de anunciar a saída dos EUA dos acordos de Paris, Donald Trump tinha-se encontrado com os membros do chamado G7, que reúne os países mais industrializados e ricos do mundo; e com o Papa Francisco.

Na audiência com o Papa argentino, o presidente dos EUA recebeu inclusivamente um exemplar da encíclica ‘Laudato Si’, que Francisco dedicou aos temas da ecologia e do ambiente.

“Esperávamos que o diálogo com o G7 e com o Papa Francisco pudessem influenciar positivamente a sua decisão”, admitiu D. Reinhard Marx, que recordou uma das passagens da referida encíclica, com aplicação no cenário que agora se apresenta no horizonte:

“O calcanhar de Aquiles da política internacional reside no facto de demasiados interesses particulares se sobreporem ao bem comum”, cita o presidente da COMECE.

Para o cardeal alemão, “é lamentável que mais uma vez esta análise seja confirmada” por factos “e que a responsabilidade global seja deixada à porta de entrada de um país”, neste caso dos EUA.

No entanto, para o presidente da COMECE, a decisão de Donald Trump em retirar os EUA dos acordos climáticos de Paris não pode ser um motivo de desespero.

“A comunidade internacional não pode ficar desencorajada. E os europeus em particular têm o dever de permanecer juntos e de reforçarem o seu papel na defesa da Criação”, conclui D. Reinhard Marx.

Firmado em 2015, durante a Conferência do Clima em Paris, França, o ‘Acordo de Paris’ estabeleceu a importância da adoção de modelos económicos que reduzam as emissões de dióxido de carbono e gases com efeito de estufa, responsáveis pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas.

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