Em Foco 714
Famílias portuguesas gastam atualmente menos 200 milhões em prestações da casa
Quatro economistas da Universidade do Minho (UMinho) assinalaram que, mediante a descida das taxas de juro, as famílias gastam atualmente menos 200 milhões em prestações da casa, contudo, continuam a ser das que menos poupam na Europa.
O estudo publicado no livro “A poupança e o financiamento da economia portuguesa” revela que os níveis de poupança estão, inclusive, em mínimos históricos, sinal dos baixos rendimentos que afetam uma parte significativa da população portuguesa. Quem poupa são quem aufere mensalmente rendimentos mais elevados.
O estudo, encomendado pela Associação Portuguesa de Seguradores, revela que, contrariamente ao que acontece noutros países, em Portugal quem está em idade ativa poupa pouco, sendo que, entre os que mais poupam, encontram-se as pessoas com idades mais avançadas e aqueles que auferem rendimentos mais elevados ao final do mês.
Em declarações à TSF, Fernando Alexandre, coordenador do trabalho, sublinha que o facto de as famílias portuguesas serem das que menos poupam na Europa alimenta, por vezes, “uma leitura moralista” de que “as pessoas vivem acima das suas possibilidades”.
“As pessoas não são estúpidas”, acrescenta o economista, lembrando que o rendimento das famílias tem estado estagnado há vários anos, ou, inclusive, foi reduzido, e que “as pessoas estão numa fase da vida em que grande parte das despesas que têm não são consumo, são investimento”, nomeadamente, na educação dos filhos.
Fernando Alexandre refere ainda que “as empresas portuguesas estão no grupo das mais endividadas do mundo (as terceiras com mais passivo na OCDE), ao contrário das famílias que apesar de muito endividadas não estão tanto, em percentagem do PIB, como em muitos outros países”.
O investigador adianta que, atualmente, as empresas já poupam mais, no entanto, ainda investem pouco e continuam a distribuir demasiados lucros aos donos, não investindo no próprio negócio, esperando pela ajuda do crédito alheio.
Este é, segundo Fernando Alexandre, um “problema sério” para a economia portuguesa que continua a existir atualmente: “Os empresários portugueses retiram os lucros das empresas, não os mantêm lá e não os investem”.
“A economia portuguesa viveu acima das suas possibilidades, mas quem viveu claramente acima das suas possibilidades não foram as famílias portuguesas, foram as empresas portuguesas e o Estado português”, frisou o economista da UMinho.
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