Em Foco 709

País despediu-se de Mário Soares em funeral com honras de Estado

O ex-presidente da República lutou toda a vida pela democracia e seus valores

Com 92 anos, morreu Mário Soares, antigo presidente da República, destacado antifascista, fundador do Partido Socialista e primeiro-ministro do I Governo Constitucional de Portugal.

Mário Soares foi uma figura marcante da luta antifascista e da democracia portuguesa, tendo-se sempre afirmado “Republicano, Socialista e Laico”.

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1951, e em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1957, foi preso pela PIDE 12 vezes, cumprindo um total de quase 3 anos de cadeia. Foi deportado para a ilha de S. Tomé (África) em 1968 e depois forçado ao exílio em França.

Em 1964, fundou a Ação Socialista Portuguesa, que se transformou no Partido Socialista em 1973.

Após o 25 de Abril, Mário Soares regressa no chamado “comboio da liberdade” a Portugal e inicia uma forte participação na vida política do Portugal democrático, como líder do PS, ministro, primeiro-ministro e presidente da República.

A partir de 2011, foi ainda um ator central na movimentação social das esquerdas na oposição à troika e às políticas de austeridade europeias.

O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa emitiu um comunicado onde refere que “em relação à Igreja (Mário Soares fez) a afirmação sempre da defesa da liberdade religiosa num espírito de cooperação e de respeito”. O padre Manuel Barbosa, em nome dos bispos portugueses, realçou de Mário Soares “toda a sua vida, a defesa da democracia, dos seus valores”.

Mário Soares, de 92 anos, morreu no sábado, dia 7 de janeiro, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado desde 13 de dezembro de 2016.

O Governo decretou três dias de luto nacional pela morte do antigo chefe de Estado, e o funeral com honras de Estado realizou-se na passada terça-feira no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, depois de ter estado em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos, desde segunda-feira. A Assembleia da República realizou uma sessão evocativa de Mário Soares na quarta-feira, a que assistiram familiares e amigos próximos, e aprovou por unanimidade um voto de pesar pelo seu falecimento.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *