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Dia Internacional dos Ciganos – um povo sem terra e de forte identidade cultural

Foto de João Pereira

Celebra-se a 8 de abril o Dia Internacional do Cigano, com o objetivo de comemorar a cultura e a história do povo cigano, lutar pelo seu reconhecimento e contra o preconceito e a discriminação sentidos por esta comunidade. É verdade que cada vez temos mais pessoas de origem cigana reconhecidas pelo seu valor na nossa sociedade. Um dos exemplos mais recentes e visíveis é o do Secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, que foi presidente da Câmara de Torres Vedras. Porém, também não é difícil reconhecer o racismo que ainda existe em relação aos ciganos. Dos cerca de 10 a 12 milhões de pessoas provenientes dos vários grupos de etnia cigana ou roma na Europa, cerca de 80 por cento vivem em risco de pobreza, devido a dificuldades de integração social, por exemplo de acesso à habitação, à educação e ao emprego.

Francisco Monteiro, diretor executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos em Portugal, salientou que esta é uma realidade transversal aos vários países e que, no caso do trabalho da Igreja Católica, implica “lidar com a dicotomia entre uma minoria desprezada e discriminada” e uma “visão muito cínica dos poderes públicos, que primeiro dizem que fazem, mas depois não fazem”.

“A exclusão dos ciganos nas várias áreas começa na habitação. Pessoas que vivem em barracas, que não têm água, que são sistematicamente escorraçadas do sítio onde estão”, apontou aquele responsável, que alertou para o facto de se estar a perpetuar todo este ciclo.

“Se crianças não podem ir à escola, se não há escolarização, não há educação, e sem educação não há emprego”, acrescentou.

O diretor executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos em Portugal lamenta a falta de um maior envolvimento de todas as entidades responsáveis, “que não intervêm e não colocam em ordem quem devia ter mais respeito pelas pessoas que são mais pobres e estão mais abandonadas”.

Recentemente a Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos em Portugal enviou à Secretaria de Estado da Cidadania e da Igualdade um relatório sobre a comunidade cigana e toda a problemática da habitação, “sobre os ciganos que vivem em barracas em Portugal”, que permitiu constatar a persistência de “uma panorâmica muito negativa”.

O responsável português pela Pastoral dos Ciganos espera que este documento contribua para o desenvolvimento de soluções que tragam mais possibilidades de integração social das populações ciganas no país.

“Pensar só não chega, o que é preciso é fazer e ter resultados e é nisto que nós batalhamos sistematicamente”, sublinhou Francisco Monteiro.

Que tem a consciência de que esta mensagem, de ação, de proatividade, também deve ser dirigida aos próprios líderes das comunidades ciganas, que também têm responsabilidades em todo este processo.

“Para que os ciganos sejam eles próprios atores e proporcionadores do seu desenvolvimento, da sua inserção e inclusão”, completou.

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