EDITORIAL 838
Censos 2021 revela que somos menos, mais envelhecidos e ainda mais concentrados no litoral

O Instituto Nacional de Estatística (INE) acabou de divulgar, na última 4ª feira, os Resultados Definitivos do XVI Recenseamento Geral da População e do VI Recenseamento Geral da Habitação – Censos 2021, referenciados a 19 de abril de 2021.
Fica assim cumprido um dos principais objetivos da operação censitária: produzir informação sobre um vasto conjunto de dados estatísticos que permitem melhorar o conhecimento do país, através da caracterização da população e do respetivo parque habitacional. As notícias não são as melhores.
Sem prejuízo de uma próxima análise mais aprofundada, o Censos revela tendências preocupantes. Talvez uma das mais importantes, é a verificação do decréscimo populacional de 2,1% no País (somos agora 10.343.066 residentes) e o agravamento dos desequilíbrios na distribuição da população pelo território. A litoralização é cada vez mais forte, com o consequente despovoamento do interior (um interior que se aproxima do litoral).
Em Lafões, todos os concelhos perderam população entre 2011 e 2021: Oliveira de Frades -7,36%, S. Pedro do Sul -10,7% e Vouzela -9,31%. Também Castro Daire com -10,45%.
O fenómeno de envelhecimento da população progrediu, com o aumento expressivo da população idosa e a diminuição da população jovem. O problema não está no aumento da longevidade, isso é uma conquista. A questão está na baixa taxa de natalidade e, de algum modo, na emigração dos mais jovens.
Aumentou a população divorciada, já é superior à de viúvos/as, tal como a população que vive em união de facto, também a das famílias monoparentais e das pessoas que vivem sozinhas, o que indica a tendência para uma alteração estrutural da chamada família tradicional. Goste-se ou não, o conservadorismo está em queda e não há volta a dar.
Apesar de tudo há algumas boas notícias: a população estrangeira residente em Portugal cresceu 37%, o que contribuiu para que a perda populacional não tivesse sido mais profunda, e o nível de escolarização da população aumentou de forma significativa, com o reforço da população com ensino superior e com o ensino secundário e pós-secundário.
A fotografia rápida que se pode extrair do Censos é que somos menos, mais envelhecidos, mais escolarizados e mais concentrados no litoral. Perante esta evidência, é incompreensível que se continue a criar obstáculos ao processo de regionalização, tentando substituí-lo por uma espécie de municipalização, quando estamos com 208 municípios em perda demográfica e económica, mas que ocupam 65,8% da área do país. É difícil não concluir que a receita atual é incompetente e não está a resultar.
26/11/2022

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