EDITORIAL 820

Cíntia Martins, nesta luta nunca estarás sozinha!

Cíntia Martins, de 14 anos, é jogadora da equipa de futebol de sub-15 do Sporting. No jogo disputado no passado domingo, no campo do Bairro da Boavista, com a equipa da Fundação Salesianos, foi alvo de um ataque verbal por parte de alguém que assistia na bancada.  Um adepto da equipa adversária insultou-a chamando-a de “macaca”.

Pouco interessa quais as equipas em jogo e onde estava a ser disputado o jogo. Passou-se em Lisboa, como podia ter acontecido em qualquer outro local onde se pratica desporto, seja qual for a modalidade ou o grupo etário das formações. O que se torna relevante é que um ataque racista não passou incólume, teve a imediata e corajosa reação da atleta, mas também a solidariedade do clube, de outros desportista e de muita gente que, na imprensa e nas redes sociais, manifestou apoio à Cíntia.

A atleta insurgiu-se contra o insulto racista e confrontou quem o fez na assistência. A árbitra não se apercebeu da origem daquela atitude da jogadora e expulsou a Cíntia.  Mais tarde, o seu treinador, Paulo Conceição, garantiu que “se tivesse ouvido tal comentário, não teria continuado o jogo”, defendendo que “ninguém, mas ninguém, deve ser julgado pela sua idade, género, orientação sexual ou tom de pele, muito menos uma criança de 14 anos”.

Para o treinador Paulo Gonçalves, “episódios como estes, recorrentes, não devem ter lugar no futebol de formação, no alto rendimento, e em qualquer outro desporto ou lugar”. Através do Twitter, o clube também reagiu repudiando “qualquer acto de racismo” e, dirigindo-se a Cíntia, afirma que na luta pela igualdade “nunca estarás sozinha”.

Este episódio e a firmeza da resposta da visada tem, para além da gravidade do caso concreto, um simbolismo muito forte que é o de não podermos hesitar em criticar e condenar quem quer optar por um país que incita ao ódio em vez da solidariedade, que prefere a gritaria ao debate de ideias, que promove a exclusão e, para isso, usa o preconceito e insulta desportistas, difama famílias, lança anátemas sobre comunidades. Obrigado, Cíntia Martins, pela tua inequívoca defesa da igualdade e, já agora, pela tua dedicação ao desporto que, como a cultura, ajudam a construir um país moderno e plural.

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