EDITORIAL 817
O convívio de Natal com a Ómicron
Neste período de festas do Natal e de convívio com familiares e amigos, frequentemente à volta de uma mesa em espaço relativamente fechado, tendo em conta que estamos na época de temperaturas baixas, o problema da pandemia que nos tem atormentado ganha especial relevo.
A vacinação massiva da nossa população parecia ter aberto a esperança de que “a coisa” se estava a debelar, pouco a pouco. O Natal e o Ano Novo seriam mais distendidos em termos de medidas restritivas. Porém, o surgimento da nova variante do vírus Sars-Cov-2, chamada Ómicron, veio por travão nessa ideia e surgem, de novo, apelos das autoridades sanitárias para que os cuidados não sejam negligenciados.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que a variante Ómicron, que se pensa ter surgido na África Austral, deve ser encarada como uma variante que inspira preocupação. Recomendou, entre outras coisas, uma maior vigilância, mais investigação e o reforço das medidas de atenuação, tais como o uso obrigatório de máscara e maiores restrições às viagens internacionais.
A rapidez com que a OMS reagiu a esta variante, apenas duas semanas após se ter tido conhecimento dos primeiros casos, contrasta com a lentidão da reação em relação à perigosidade da variante Delta – demorou seis meses, surgida na Índia e agora dominante na Europa. Parece que a lição foi aprendida.
Não há dados seguros sobre se a Ómicron possa causar doenças mais graves. Contudo, deve existir nas nossas famílias e comunidades uma clara atitude preventiva sobre a transmissibilidade (parece ser mais elevada), sobretudo porque não há segurança sobre a chamada evasão imunológica (se o vírus consegue ou não contornar os anticorpos gerados pela vacinação).
É a possibilidade de conjugação daqueles dois fatores que, sem alarmismos, suscitam maiores preocupações e devem obrigar toda a nossa comunidade, coletiva e individualmente, a ter os necessários cuidados, desde logo pela adesão aos programas vacinais em curso que, agora, também abrangem as crianças.
Recordamo-nos que no Natal do ano passado as restrições foram muito duras. Após o grande avanço com a forte adesão cívica à vacinação, a situação melhorou, nomeadamente com uma diminuição acentuada dos casos mais graves. No entanto, as incertezas ainda existentes acerca da variante Ómicron devem manter-nos atentos e com todas as precauções sanitárias ativas.
Toda a equipa da Gazeta da Beira deseja aos seus assinantes, leitores/as e colaboradores/as, desde correspondentes e cronistas até aos anunciantes e à distribuição, uma feliz quadra de Natal, com muito convívio e amizade, mas também com segurança para que a alegria seja de todos/as.
16/12/2021

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