EDITORIAL 813
Temos Orgulho na Marcha LGBTQIA+ realizada em Viseu

O jornal Expresso noticiou que, no passado dia 21 de julho, teriam existido comentários e agressões homofóbicas de pessoas ligadas a uma organização de extrema-direita contra jovens numa esplanada de Viseu.
A PSP foi chamada ao local e identificou os dois agressores, bem como duas testemunhas que se prontificaram a prestar declarações. O Jornal do Centro também noticiou em pormenor esse lamentável episódio, referindo que esteve envolvido um candidato autárquico daquela organização, portanto, com responsabilidades políticas.
A ideia de que a região de Viseu é conservadora e marcada por profundas convicções religiosas, parece constituir razão para que algumas pessoas, essas sim com pouco sentido democrático e solidário, se sintam que estão a coberto, quiçá legitimadas, para exercerem ataques, utilizando até a violência física, contra pessoas devido à sua orientação sexual.
Esta atitude é reprovável e inaceitável. O Papa Francisco é muito claro quando refere que as pessoas homossexuais “são filhas de Deus e têm direito a uma família”, como tal apela a que os países criem uma lei de união civil que os proteja legalmente como aos casais heterossexuais casados ou em união de facto (comunicado da Catholic News Agency). O casamento de homossexuais continua a não ser permitido na Igreja Católica, mas o Papa rejeita que esta comunidade de crentes seja atacada ou ostracizada na Igreja Católica.
Num Estado de direito democrático, todas as pessoas, independentemente da sua origem étnico-racial ou orientação sexual, têm os mesmos direitos, são consideradas iguais, protegidas pela lei e não podem ser discriminados em qualquer circunstância.
A Marcha LGBTQIA+ (acrónimo que representa as várias orientações não heterossexuais) realizada no passado dia 10 de outubro na cidade de Viseu, deve constituir um orgulho não apenas para quem a promoveu ou quem nela participou, mas para todos nós que nos orgulhamos de viver ou trabalhar numa região onde se realiza uma iniciativa que defende valores humanos elementares.
O manifesto da marcha reivindica medidas para a construção de condições de igualdade plenas, a criação de redes de apoio, de diálogo e acompanhamento de pessoas que sofram dos diferentes tipos de violência devido à sua orientação sexual, a implementação de ferramentas de ensino e aprendizagem de temas de saúde sexual e diversidade de género a profissionais da saúde, do ensino, da justiça e segurança civil, de forma a não alimentarem comportamentos discriminatórios e de injustiça social.
A Marcha realizada em Viseu, uma das várias que tiveram lugar pelo país, é de todos/as nós, defensores intransigentes da igualdade, da não discriminação e dos Direitos Humanos.
14/10/2021

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