EDITORIAL 799

Concelhos de Lafões permanecem em “risco extremamente elevado” de infeção

• Pedro Soares

É verdade que surgiram os primeiros sinais de melhoria da situação epidemiológica da covid-19 na sequência deste novo período de confinamento, mas muito ténues, muito longe ainda de poder ser considerada uma situação positiva. A mortalidade continua elevadíssima e a velocidade de transmissibilidade poderá demorar mais duas semanas até que seja metade da atual, mesmo assim elevada. O atraso no plano de vacinação torna a situação ainda mais complexa.

Em Lafões o quadro permanece preocupante, como em grande parte do território nacional. Os municípios de Castro Daire, Oliveira de Frades, São Pedro do Sul e Vouzela encontram-se na classe de “risco extremamente elevado”, tal como Viseu, todos com uma incidência muito acima do que é considerado pelo ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doença) um nível muito elevado e preocupante (500 novos casos por 100 mil habitantes).

Com base no número de novas infeções por 100 mil habitantes entre 20 de janeiro e 2 de fevereiro, segundo os dados atualizados esta segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS), Castro Daire acumula 2091 novos casos, Oliveira de Frades tem 2597, São Pedro do Sul conta 1805 e em Vouzela verificam-se 2162. Em qualquer um destes concelhos a infeção encontra-se 4 a 5 vezes superior ao que já é entendido como um nível elevado pelo ECDC.

Com este quadro, apesar de o País estar numa fase descendente da curva epidemiológica, seria muito perigoso adotar qualquer atitude menos restritiva ou alimentar expetativas de solução para breve, mesmo que as pressões para precipitar medidas de desconfinamento sejam muitas. É imperioso não esquecer que estão em causa muitas vidas em todos os grupos etários.

O epidemiologista Carmo Gomes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, demonstrou, na reunião do Infarmed realizada terça-feira, a evolução trágica do crescimento das taxas de incidência por faixa etária em Janeiro, concluindo com uma verdadeira reprimenda aos vários representantes políticos quando afirmou que as medidas tomadas – pelo PR e Governo com o apoio de vários partidos – foram erradas por terem sido “graduais e tardias”.

Tudo isto a par de um atraso relevante na aplicação do plano de vacinação, o instrumento mais consistente para travar a pandemia, levará a que as medidas restritivas de confinamento sejam prolongadas, com a necessária adoção urgente de apoios à economia e às famílias com perda de rendimentos. As autarquias devem estar incluídas neste esforço, porque conhecem em pormenor os problemas e podem socorrer com maior rapidez e proximidade quem precisa. Ninguém pode ficar para trás. Solidariedade ativa é a palavra de ordem neste momento.

Todos ansiamos por liberdade e por voltar à vida normal. As atividades económicas estão a sofrer duramente com as restrições. A situação social de muitas famílias é preocupante. Os problemas da saúde mental agravam-se. Professores e alunos querem aulas presenciais que é o melhor. Porém, a probabilidade de vermos repetir a situação caótica de Janeiro e do início deste mês de Fevereiro é muito elevada caso se volte às tais medidas “graduais e tardias”, agravadas pelo atraso da vacinação que, diga-se, até agora ainda ninguém se responsabilizou.


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