EDITORIAL 798
E as Escolas? Depois logo se vê!

Quando os índices de contágio pelo vírus da Covid-19 e o número de mortos começaram a subir de forma dramática, o Presidente da República e o Governo pensaram em decretar novo confinamento obrigatório com medidas mais restritivas. Deviam tê-lo feito bem mais cedo, quando noutros países da Europa o processo já estava em marcha, ainda durante o Natal ou imediatamente a seguir.
A medida impunha-se. Os hospitais estavam a atingir os limites de internamento de doentes covid-19 em enfermarias e nas unidades de cuidados intensivos. No Hospital de Viseu o problema agravou-se rapidamente e foi necessário montar um hospital de campanha no Multiusos da cidade que, segundo as notícias, não consegue responder ao aumento de fluxo de doentes.
Numa reportagem realizada no interior do Hospital de Viseu pela jornalista Joana Ascensão (Expresso), publicada no passado dia 22, é referido que o diretor clínico, Eduardo Melo, ao receber a equipa de reportagem disse: “Bem-vindos ao inferno. Têm a certeza de que querem entrar?”
Refere a peça jornalística que “das 1035 pessoas internadas com covid desde 15 de março, metade (517) foi recebida no último mês.” Eduardo Melo caracterizou a situação desta forma: “A primeira vaga foi mais suave, a segunda já não foi nada simples e esta terceira está a ser catastrófica. É um tsunami a seguir a um terramoto.”
Perante este quadro, o Governo ainda hesitou em suspender as atividades letivas no sistema de ensino. Absolutamente incompreensível.
A Comissão Municipal de Proteção Civil de Viseu, que reuniu para avaliar a propagação da pandemia e, em particular, o impacto da situação nos estabelecimentos escolares exigiu à tutela “a suspensão da atividade letiva e educativa em regime presencial do 3.º ciclo e ensino secundário nos estabelecimentos de ensino do concelho de Viseu.”
O Reitor da Universidade de Lisboa com o apoio de todos os Presidentes e Diretores das 8 faculdades tinha assumido que, independentemente da falta de decisão do Governo sobre a matéria, a Universidade de Lisboa iria suspender as suas atividades presenciais.
Finalmente, António Costa lá se decidiu suspender as atividades letivas, mas por 15 dias e sem se saber o que aí vem. Dificilmente as escolas reabrirão antes do Carnaval. O mais provável é que as aulas continuem suspensas depois disso. Seria prevenido e inteligente aproveitar estes primeiros 15 dias de suspensão das aulas para planear e preparar uma situação previsível de continuação do confinamento. Contudo, nada se sabe.
Vai passar a haver aulas à distância? Todos os alunos têm acesso a meios informáticos para acompanhar aulas on-line? O corpo docente está preparado para adotar esse sistema de comunicação?
Porém, o que já se sabe é que os pais que vão ter de ficar em casa para acompanhar os filhos ganham apenas 66% dos seus salários e os trabalhadores a recibo verde vão receber de apoio um terço do rendimento médio declarado nos últimos meses. Sobre isto, uma espécie de regresso à austeridade e ao empobrecimento, já não há hesitações. Sobre a Escola, logo se vê!
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