EDITORIAL 796

Um Novo Ano que seja capaz de concretizar as boas intenções

O ano que agora termina foi pródigo em declarações e proclamações, certamente cheias das melhores intenções de apoio aos que mais sofreram com a pandemia e aos mais desfavorecidos. Uma das frases mais utilizadas, da direita à esquerda, passando pelo Governo, PR e até instituições internacionais é a de que “ninguém fica para trás”.

Porém, a realidade é muito dura, inelutável e o principal critério da verdade quando se trata de promessas e boas intenções. Vamos ver como correrá o ano que agora desponta. Claro que todos queremos que corra melhor do que o anterior e esses são os votos sinceros da generalidade das pessoas.

Uma das realidades mais impactantes e que foi exposta pela pandemia é a que atravessa os lares e os cuidados de saúde.  Um recente relatório do Fundo Europeu para as Condições de Trabalho (Eurofound) revela que Portugal paga dos salários mais baixos da UE nos cuidados a idosos. O nosso país é mesmo o quarto que mais mal paga na Europa. Atrás do nosso país, apenas a Roménia, Itália e Eslovénia.

Os auxiliares pouco mais recebem do que 600 euros brutos mensais e um enfermeiro um pouco mais de 900 euros. A maioria dos profissionais têm 50 ou mais anos. Se a isto acrescentarmos horários e cargas de trabalho intensas, acompanhadas da precariedade que grassa nas relações laborais, nada de bom pode ser perspetivado para muitas das instituições que cuidam dos mais idoso.

O Estado tem-se demitido de uma intervenção direta e torna-se inaceitável que alguns façam dos cuidados prestados aos mais velhos um negócio puro e duro em que o que conta para os proprietários de alguns lares é o lucro fácil à custa dos seus utentes e dos profissionais que lá trabalham.

A ausência de políticas públicas orientadas no sentido da criação de uma rede pública de apoio aos idosos parece continuar a ser assunto tabu, mas os responsáveis políticos não deixam de produzir declarações tonitruantes sobre a necessidade de apoio aos idosos. Estaremos atentos para ver se o ano de 2021 vai concretizar promessas ou se tudo fica mais ou menos na mesma.

Gazeta da Beira deseja a todos/as leitores um melhor ano de 2021.

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