EDITORIAL 768

Homenagear António Santos é homenagear todos os Sapadores Florestais

A Associação de Desenvolvimento Rural de Lafões (ADRL) organizou um jantar de homenagem a um seu trabalhador que passou à reforma. Não foi uma homenagem qualquer, não foi a um qualquer trabalhador. Na ADRL não existem trabalhadores quaisquer, todos os trabalhadores e trabalhadoras são únicos/as, iguais e dignas do maior respeito. Mas o António Santos é especial porque é o Sapador Florestal mais antigo do país e integra a primeira equipa de Sapadores Florestais a ser constituída em Portugal, justamente pela ADRL em 1999.

Todas as profissões são importantes, cada uma com sua função, mas os Sapadores Florestais têm vindo a ganhar especial relevância face ao cada vez maior abandono do território e progressão dos fogos florestais e rurais.

O António, a esta qualidade que resulta das suas atribuições profissionais, acrescenta o facto de ser um trabalhador dedicado desde a primeira hora. Amigo e solidário dos seus colegas e sempre compreensivo e solidário com a ADRL nos momentos de maiores dificuldades.

No final do jantar, o Padre João Rodrigues, actual presidente da direção entregou um diploma a António santos e referiu a importância da presença do Secretário de Estado das Florestas, “é sinal que valoriza o trabalho dos Sapadores Florestais”, disse.

O presidente da ADRL aproveitou ainda para referir a importância da constituição de uma Biorregião de Lafões e de manter o Rio Vouga limpo, o rio que atravessa a região.

Aproveitou ainda o momento para fazer uma homenagem ao professor Joaquim Mendes ex-presidente da Assembleia Geral da ADRL que faleceu ao lado dos Sapadores Florestais da ADRL a lutar contra um grande fogo em Queirã.

Rui Ladeira, presidente da CM de Vouzela e ex dirigente da ADRL, com responsabilidades directas na constituição das duas equipas de sapadores Florestais da ADRL saudou o António e com ele todos os Sapadores, saudou a ADRL, o seu trabalho e o seu presidente Padre João Rodrigues pelo apoio à comunidade e pela intervenção florestal.  “Homenagear o António é homenagear todos os Sapadores. O António merece esta homenagem, é um representante digno pela sua responsabilidade e capacidade de entrega. Sempre cumpriu a sua missão.  Um exemplo para todos.” Disse Rui Ladeira que aproveitou esta cerimónia para entregar o Brasão do Concelho.

O Presidente da Câmara agradeceu a presença do Secretário de Estado das Florestas e disse “que temos passado um período difícil das nossas vidas. O fogo mudou as nossas vidas sobretudo pela preocupação sobre o futuro, o que vai ser o futuro da nossa terra. A nossa realidade é o aumento do risco de incêndio num curto prazo, também a agricultura e o resto da economia. O próximo QCA tem que olhar para estes territórios. As pessoas precisam de condições para aqui viver. Os dinheiros europeus da coesão são fundamentais para estes territórios. As alterações climáticas vão acentuar as contradições para o aumento dos fogos” afirmou Rui Ladeira.

Culturas alternativas como o cânhamo e os mirtilos podem dar um bom contributo ao desenvolvimento da região. A presença do Secretário de Estado das Florestas é sinal de valorização os Sapadores Florestais e vem estender a todo o país, disse Rui ladeira  e não imagina hoje a floresta sem estas equipas.

A legislação que obriga às faixas de contenção é mais uma tarefa que onera os agricultores e cria injustiça social além de trazer também dificuldades às autarquias. Muitas vezes passa despercebido este trabalho que é tão importante.

O presidente da CM de Oliveira de Frades, que se associou a esta homenagem, a convite da ADRL, subscreve as preocupações de Rui Ladeira sobre as questões do interior e aproveitou para referir as potencialidades deste território, a marca Lafões é muito mais que cada um destes municípios cada um por si. Somos uma região que se nos conseguirmos congregar seremos mais fortes.

Ângelo Rocha, presidente da Associação Biorregião de São Pedro do Sul, disse que a floresta é como um manto e os Sapadores são as costureiras deste manto, e que esta é uma justa homenagem aos Sapadores. Criar harmonia entre agricultura, floresta e pecuária deve ser uma preocupação.

“Temos o prazer de ter cá o Secretário de Estado” considerou Ângelo Rocha.  Sobre a criação da associação Biorregião de São Pedro do Sul considera que “o feedebeek é muito bom justamente porque começaram pelo trabalho com as crianças a incentivar o consumo de produtos biológicos. Há um projeto para 30 ha de produção e transforma de cânhamo em bio e outros projetos estão a surgir em bio”.

O Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas que se deslocou a Vouzela de propósito para participar nesta homenagem ao António, começou a sua intervenção por dizer que “estou no sítio onde gostaria de estar disse logo que sim ao convite que me fizeram. Vinte anos de vida dedicada à floresta. Hoje conheci um homem extraordinário que é o Padre João.  O que disse desde que aqui cheguei “é preciso estarmos juntos para fazer coisas”. “Depois o rio, nós juntos somos mais fortes” e isso é extraordinário, estamos numa tarefa que é a mais difícil, a defesa da floresta e o desenvolvimento do interior.

“Parece que ao longo destes anos não percebemos nada sobre a influência da orografia, do clima. Temos que dizer com clareza que a floresta que temos não serve o país. Para ter outra precisamos de dinheiro para fazer a transformação necessária precisamos de investimento público na floresta, precisamos de mais Estado na floresta.  Temos que fechar este ciclo iniciado há 20 anos com muitos erros” considerou Miguel Freitas que prosseguiu “em 2017 houve o choque de muitas mortes, a floresta mata. Foi feito já muito esforço já se limparam 200 mil hectares mas o que se fez foi o mais fácil o que precisamos fazer é muito mais. Precisamos de mais orçamento, não se faz a mudança apenas com os fundos comunitários temos que discutir com clareza que dinheiro vem para a floresta”.

“Mas é preciso pensar uma visão agro-florestal do território, derrubar as barreiras legislativas que criamos entre a floresta e a agricultura nos projectos.

Demos já um sinal com as cabras sapadoras temos que alargar e aperfeiçoar esta medida.”

Precisamos de mais pastores, para uma nova floresta precisamos de ordenamento Florestal, PDMs, cadastro, com envolvimento dos produtores e das associações; alterar a legislação dos Sapadores, tem que ser criada uma carreira. Estou comprometido com isso.

Está criada a carreira para o sector público, falta agora criar a carreira de sapador no sector privado, estamos a apoiar uma associação para se poder fazer porque passa pela contratação colectiva.

“Olhar para a gestão significa perceber que temos dificuldade de gerir minifúndio  e as ZIF tal como existem não têm conseguido.  Estamos com alguns milhares de hectares em EGF e apenas 25 mil nas UGF.

Mais Estado mas um Estado que ajude a resolver os problemas” considerou Miguel Freitas.

“Ouvi com atenção a descrição feita pelo presidente de Vouzela, há falta de energia, as pessoas estão cansadas, desmotivadas, o Estado tem que ajudar”, é verdade, como temos que fazer essa discussão.

Eu próprio sinto que estou a chegar ao fim de um ciclo, que este esgotou o que temos que fazer para a frente é muito mais. Agora foi rendilhar o manto, fez-se o mais fácil e o mais difícil é gerir a floresta” concluiu Miguel Freitas.

Temos, sim que nos juntar e pensar na região. As Biorregiões é uma boa ideia, está a crescer, estamos a estimular agrupamentos de municípios que façam sentido, a floresta não tem escala municipal.

O papel dos Sapadores Florestais é fundamental, espero poder continuar a colaborar com a associação para melhorar o funcionamento, o nível remuneratório.

“Estamos com uma enorme dificuldade em contratar pessoas que é preciso pagar melhores é um trabalho difícil, criar carreira e pagar melhor é a única maneira de dignificar a profissão” conclui o Secretário de Estado Miguel Freitas na sua passagem por Vouzela para homenagear o sapador Florestal António Santos na sua passagem à reforma.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *