EDITORIAL 739

Vitela de Lafões também previne incêndios

Vitela de Lafões também previne incêndios

Avizinha-se mais uma edição dos Festivais de Vitela de Lafões – Manhouce e Vouzela. Com a nova geração de autarcas a Vitela de Lafões ganhou maior relevância, o que é de registar. Os Festivais da Vitela de Lafões são já uma marca no calendário de lafonense.

Mais de duas décadas após o registo da Vitela de Lafões como Indicação Geográfica Protegida (IGP) importa reconhecer o papel que as autarquias têm na promoção deste produto numa região onde as organizações de produtores, representantes de pequenos e muito pequenos produtores, só por si não têm capacidade para fazer toda a intervenção que é necessária como forma de dar o devido valora este produto enquanto parte integrante de uma estratégia de desenvolvimento da região.

Aqui chegados importa fazer uma breve síntese do percurso e apontar caminhos de futuro.

Do percurso, a capacidade técnica e de direção da Associação de Desenvolvimento Rural de Lafões (ADRL) para elaborar o cadernos de especificações para a produção e comercialização da Vitela de Lafões e proceder ao seu registo como IGP ao nível nacional e europeu em 1994.

Há que fazer justiça a Paulo Rosas (à época médico veterinário no Agrupamento de Produtores de Vouzela – Cooperativa Agrícola de Vouzela), a António Morais (à época médico veterinário com funções de Veterinário Municipal em Vouzela e a mim própria, na época professora do ensino secundário, todos dirigente e fundadores da ADRL.

Na altura foram visionários. Olharam a Vitela de Lafões como um potencial de alavanca do desenvolvimento da região. Olharam para as suas potencialidades gastronómicas, a integração na paisagem, o seu contributo para a gestão do território na medida em que são excelentes aliadas no controlo dos matos e vegetação herbácea no sob coberto vegetal na floresta e importante fonte de rendimento para os produtores.

Tudo isto é válido mas muito está por fazer em grande parte por falta de políticas públicas que permitam valorizar e desenvolver a pequena agricultura familiar e a sua organização para o mercado. Mas também porque este potencial de desenvolvimento só foi reconhecido pelas autarquias por esta nova geração de autarcas.

Falta agora apontar novos caminhos que só poderão ser percorridos através de uma forte aliança entre a Cooperativa 3 Serras de Lafões (entidade responsável pela gestão da IGP Vitela de Lafões), os três municípios de Lafões, A Confraria de Gastrónomos de Lafões, os Cursos de Cozinha das escolas profissionais de Lafões e outras entidades que pretendem participar.

Só com esta forte parceria e uma clara e forte política pública do governo e dos municípios poderemos levar para a frente uma verdadeira estratégia de afirmação da Vitela de Lafões enquanto alancava de um projecto de desenvolvimento sustentado da região de Lafões e ser ao mesmo tempo um excelente aliado na prevenção dos incêndios florestais dadas as suas características de raças autóctones perfeitamente adaptadas ao pastoreio na floresta.

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