EDITORIAL 738

Voltar às ruas para cumprir Abril

Escrevo este artigo justamente na noite de 24 de Abril, já em plenas celebrações do 25 de Abril de 1974. Festejamos o fim de uma ditadura fascista que manteve o país na miséria e na pobreza, que fez uma guerra colonial que matou milhares de jovens, prendeu, reprimiu e torturou pessoas cujo crime era pensar e agir livremente. Prendeu e matou por razões políticas como agora acontece no Brasil e na Catalunha, ali ao lado.

Há pouco tempo atrás não imaginaria assistir, na minha vida, a tamanho retrocesso nos direitos sociais, cívicos e políticos a nível europeu e mundial. Significa isto que nunca podemos baixar os braços na defesa da democracia e da liberdade, não são direitos adquiridos, são direitos conquistados na luta dia a dia.

Em Portugal atravessamos um período de recuperação de direitos socais e laborais, de recuperação de rendimentos de milhares de trabalhadores vítimas da TROIKA e do Governo do PSD/CDS.

Contudo, 44 anos depois de Abril há conquistas, que apesar de inscritas na Constituição da República e na Carta dos Direitos Humanos, ainda estão por realizar. Por elas há que continuar a lutar: o direito à habitação e o direito à alimentação como direitos humanos universais.

É caso para dizer que o Estado Social está manco, faltam-lhe o pilar da habitação e o da alimentação.

Em Portugal, principalmente nas grandes cidades, vive-se uma crise de habitação como não há memória que está a despovoar as grandes cidades, sobretudo Lisboa e Porto, a atirar as pessoas para uma vida precária e a provocar o aumento da pobreza.

É preciso voltar á rua e exigir os pilares que faltam no Estado Social, exigir políticas públicas que permitam transformar a alimentação e a habitação num direito universal. Só assim se cumprirá Abril.

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