EDITORIAL 735

A urgência de continuar e fortalecer a luta feminista

No dia 8 de março celebra-se o Dia Internacional dos Direitos das Mulheres. Neste dia, evocam-se e atualizam-se as lutas travadas por tantas mulheres, em todo o mundo e ao longo de décadas, defendendo direitos civis, laborais e sociais, à educação, à autodeterminação e à liberdade sexual, defendendo dignidade e justiça, muitas vezes com a sua própria vida.

Tenho que confessar que durante muitos anos da minha vida considerei que não havia razão para ser feminista, que todas as mulheres tinham as mesmas oportunidades que os homens simplesmente não as aproveitavam por serem demasiado femininas e se preocuparem sobretudo por tarefas domésticas, vida familiar e o tradicional assistencialismo ou religião.

Foi necessário começar a enfrentar o problema da falta de escolas com horários adequados à vida profissional para começar a olhar de forma diferente para estes assuntos. Mesmo assim era um olhar de mulher que teve o privilégio de nascer e crescer numa família que sempre a apoiou nas sua intervenção política e cidadã, que cedo começou, e nunca a fez sentir diferente dos homens. As diferenças não eram de oportunidades mas da forma como cada um ou cada uma as queria agarrar.

Foi necessário começar a trabalhar diretamente com os problemas específicos das mulheres agricultoras, no âmbito de um projecto EQUAL, para começar a perceber e a tomar consciência que afinal ainda não somos iguais em oportunidades apesar das leis nos reconhecerem essa igualdade.

Isto para dizer que é necessário sentir os problemas ou sobre eles ter muita informação e reflexão para uma verdadeira tomada de consciência. E por isso cabe-nos a todas/os escrever, falar e cantar, cada um/uma com a sua forma de expressão para alertar e mudar consciências.

Sobre igualdade entre homens e mulheres há ainda a escrever e a dizer, porque as desigualdades são ainda muitas, agravaram-se com a Troika e Passos Coelho/Paulo Portas e ainda há muito a recuperar apesar do excelente trabalho que nestas matérias o actual Governo está a fazer através da Secretaria de Estado para a Igualdade, agora dirigida por uma lafonense, não de nascimento mas  de coração porque aqui coordenou e desenvolveu vários projectos pela igualdade entre homens e mulheres e pela conciliação entre vida profissional e familiar.

As mulheres são mais afetadas pela precariedade laboral, elo desemprego e pela pobreza; as principais vítimas de violência doméstica, sexual e de género persistindo a situação ignóbil das mulheres mortas pelos seus atuais ou ex-companheiros. As desigualdades salariais continuam a atingir as mulheres, para trabalho igual continuamos a ter salários inferiores para as mulheres.

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