EDITORIAL 732

Os serviços e bens essenciais à vida não podem sair do controlo do estado

Apesar dos protestos das populações e dos autarcas a empresa que detém os CTT prepara-se para dar continuidade à sua intenção de encerrar 22 postos de correios nos distritos de Braga, Vila Real, Porto, Aveiro, Santarém, Lisboa, Setúbal, Faro, Açores e Madeira.

Até ao final do primeiro semestre de 2017, existiam no país 4.377 postos dos correios. Destes, 613 eram lojas próprias, 1.744 eram lojas em parceria com outros estabelecimentos e 2.020 eram postos de venda de selos.

A 19 de dezembro, o presidente dos CTT, Francisco Lacerda, apresentou um plano de redução de custos que passará pelo corte de 800 postos de trabalho a tempo inteiro, pelo fecho de 22 lojas. Anunciou ainda medidas que passam pela redução substancial da remuneração variável dos trabalhadores dos correios. O argumento da empresa é que “a contínua substituição eletrónica está a impactar os rendimentos operacionais uma vez que os CTT estão ainda muito dependentes do Correio”.

A questão que devemos debater neste momento é se um país deve ou não entregar a privados a prestação de serviços ou o fornecimento de bens que são essenciais à vida das populações.

Considero que é momento de luta, de nos unirmos na defesa deste serviço tão importante para a vida das pessoas. Mas a luta deve ser dirigida ao Governo, no sentido de reverter a privatização desta empresa. O correio eletrónico não substitui o “correio postal” e ainda está longe de substituir. Além disso muitas pessoas que recorrem ao “correio postal” vivem em lugares isolados, têm idade avançada, têm dificuldades no acesso à internet e não há transportes públicos nos meios rurais.

Bem sabemos que as empresas são criadas para dar lucro, cabe ao Governo garantir que todos os serviços e bens essenciais à vida das pessoas são assegurados.

É tempo de exigir os CTT públicos e uma reflexão sobre outros bens e serviços a voltar à esfera pública, nomeadamente no domínio da banca, dos transportes e da energia.

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