EDITORIAL 717

“Vitela de Lafões” não existe nos talhos e restaurantes da região

 

• Maria do Carmo Bica

Maio é tempo de festa e de romaria. A festa acontece no campo e na serra, onde as flores e o arvoredo preenchem a paisagem com diversas tonalidades. No primeiro dia de Maio ainda há gente a acordar com as “maias “ à porta. Há uns quantos e quantas que insistem em manter a tradição. As redes sociais permitem agora divulgar esta tradição, vários foram os “posts” no “Facebook” com notícias do “dia das maias”. Durante a noite de 30 de Abril para 1 de Maio vão à serra cortar ramos de giestas floridas e espalham-nas nas portas dos vizinhos e amigos. Desejar sorte e boa fertilidade que Maio é tempo de cio e de sementeiras.

Maio é também, mais recentemente, o mês da “Vitela de Lafões”. Os municípios de Vouzela e São Pedro do Sul já inscreveram nas suas agendas iniciativas de promoção da “Vitela de Lafões”. A Cooperativa 3 Serras de Lafões e a ADRL continuam o seu trabalho de décadas (desde 1994, data do reconhecimento da “Vilta de Lafões” como IGP) para que este produto se transforme numa verdadeira alternativa para os agricultores da região.

Sabemos que a designação Lafões é conhecida da grande maioria dos portugueses e sabemos também que, entre esses, o que mais apreciam em Lafões é a gastronomia e a paisagem. Por esta ordem. Ora gastronomia e paisagem estão intimamente relacionadas com o tipo de agricultura que se pratica na região. Uma agricultura familiar, policultural, frequentemente em socalcos, com vinha em bordadura e muito verde. A “Vitela de Lafões” marca esta paisagem e a gastronomia, logo há que apostar neste produto.

Para isso não bastam festivais sem consequências. Defendo com toda a convicção que só deveriam poder participar nestes festivais os restaurantes que se comprometessem a ter nas suas ementas “Vitela de Lafões”, IGP durante todo o ano.

Os turistas que vêm a Lafões à procura da “Vitela de Lafões, vêm ao engano, pois não encontram restaurantes que ofereçam este produto. É preciso afirmar isto de forma muito clara.

Se queremos promover o produto não podemos esquecer os produtores, sem produtores não haverá “Vitela de Lafões” e já temos muito poucos. Para que a produção de “Vitela de Lafões” seja atractiva para os produtores é preciso aumentar o preço à produção e para isso os restaurantes têm que estar disponíveis para aderir ao processo e ter, nas suas ementas “Vitela de Lafões”.

Não há “Vitela de Lafões” à venda nos talhos e nos restaurantes da região que lhe dá o nome. O único sítio onde se pode comprar é no “Corte Inglés”.

É altura dos municípios deixarem de contribuir para que os restaurantes da região ganhem à custa de uma fraude, que é disso que se trata, uma fraude. Deixo aqui o desafio para que, no próximo ano só sejam admitidos nos festivais os restaurantes que se comprometam a ter Vitela de Lafões nas suas ementas durante todo o ano.

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