EDITORIAL 716

Agricultura de Lafões e de Sever do Vouga sofreu calamidade natural

Os agricultores devem ser apoiados

Agricultura de Lafões e de Sever do Vouga sofreu calamidade natural

Todos sabemos que a agricultura é uma actividade sujeita a factores que não controlamos, os climáticos. Mesmo a produção agrícola em estufas e outras formas de proteção das culturas acabam por falhar com a tempestade aperta. Foi o caso do fim de tarde do dia 19 de Maio. Este dia ficará para sempre marcado na memória dos produtores de mirtilos e de cogumelos que tiveram perdas superiores a 50% da sua colheita deste ano. Há um produtor de cogumelos que viu a sua produção toda comprometida por destruição do plástico da estufa. Toda a madeira terá que ser novamente inoculada para poder voltar a entrar em produção.

Alguns produtores de mirtilos tiveram perda total da colheita deste ano e parte da produção do próximo ano está comprometida. O trabalho de um ano inteiro foi completamente perdido em poucos minutos de tempestade de granizo.

Vi homens de “barba rija” com as lágrimas a saltar-lhe dos olhos… “Perdi tudo…, isto é uma tragédia. Trabalhei aqui tanto, investi tanto dinheiro, vinha aqui todos os dias ver as minhas plantas com muito orgulho. Agora vejo tudo destruído, uma tristeza…”

Ninguém tem seguro de colheita porque a actividade está completamente desregulada, e as empresas de seguros cobram muito dinheiro para fazer um seguro.

Além do risco associado às actividades agrícolas devemos pensar que são os agricultores que produzem todos os alimentos que comemos, frescos ou transformados.

Posto isto, devemos dizer que as políticas agrícolas têm que ter estes aspectos em conta, além de outros, como o ambiente e a biodiversidade.

Foi justamente a necessidade de produzir alimentos em quantidade, qualidade e preço capaz de assegurar a alimentação dos consumidores que foi fundada a PAC – Política Agrícola Comum no pós II Guerra Mundial. Para isso foi necessário introduzir fortes mecanismos de regulação do mercado e garantir níveis de rendimento adequados aos agricultores.

Precisamos hoje de voltar a pensar nestes dois grandes objectivos da PAC original, sem, contudo , descurar a componente ambiental que deve ter.

É pois, tempo de pensar numa nova PAC, a PAC da soberania e da segurança alimentar, a PAC que respeite o ambiente e a biodiversidade mas que permita um rendimento aos produtores que lhes proporcione nível de vida equiparado às pessoas que se dedicam a outras actividades.

Acrescentar a esta nova PAC uma componente de prevenção e apoio dos riscos climáticos que se preveem vir a aumentar por acção das alterações climáticas.

Até lá deverá o Governo tomar medidas excepcionais para compensar os prejuízos destes produtores de Lafões e Sever do Vouga, de modo a poderem relançar a actividade e a viver com dignidade até à próxima colheita. Deverá ainda acionar a medida do PDR2020 para restabelecimento do potencial produtivo e começar a trabalhar para regular a actividade seguradora. A pequena agricultura não pode continuar desprotegida.

 

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