Editorial

Esta é a primeira edição da Gazeta da Beira do ano 2016. É também a primeira edição em que regresso à Direcção deste jornal. Considero que dirigir e manter vivo um jornal como este é uma enorme responsabilidade, é um dever de cidadania que podemos comparar a uma obrigação de serviço público. Posso afirmar este carácter de serviço público da Gazeta da Beira, sem falsas modéstias, porque ele resulta da qualidade e da diversidade e pluralidade que lhe é transmitida pelos diversos colaboradores e colaboradoras. A independência é marca da Gazeta da Beira que vamos mantendo com a colaboração preciosa de muitas pessoas.

Em nome do jornal, dos seus leitores mais atentos e em meu nome pessoal, quero aqui expressar o meu reconhecimento e agradecimento pela colaboração dada pelo Dr. António Alexandrino, que assumiu com elevadíssimo nível a direcção do jornal durante cerca de dois anos. Numa primeira fase para me substituir, num período em que entendi ser este cargo incompatível com a minha intervenção direta no processo eleitoral autárquico em São Pedro do Sul. Numa segunda fase para substituir a jornalista Patrícia Fernandes enquanto decorria o seu estágio na Ordem dos Jornalistas. Em ambas as situações aceitou prontamente e avisou: – “A minha colaboração como Director é pontual e a prazo, a minha prioridade é a música!” – Em ambas as vezes, Alexandrino Matos cumpriu a sua promessa. Cumpriu no prazo e cumpriu na qualidade e intensidade da sua colaboração. Quero agradecer-lhe, reconhecidamente! Sei que não se vai embora, que continuará a acompanhar e a colaborar, talvez ainda mais, mas, com o fim do estágio da jornalista Patrícia Fernandes na Gazeta da Beira, entendeu estar cumprida a missão.

Por isso, e só por isso, cá estou de novo, a assumir a direcção do jornal com uma equipa renovada. A vida é feita de mudança, como dizia o poeta Luís de Camões (Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades). Também a vida das instituições se vai renovando com a mudança. Ora desejada, ora imposta, a mudança faz-nos sempre avançar.

O tempo é também de mudança e de enormes desafios. Manter um órgão de comunicação social livre e independente é um enorme desafio num tempo dominado pelos “mercados”. Esta é a melhor forma de responder e contrapor a uma comunicação social nacional e internacional dominada pelo grande capital e a ele sujeita. Nas novas democracias as pessoas, aparentemente livres, são controladas pela força da comunicação social que lhe entra pela casa dentro todos os dias, sem pedir licença, com mensagens estrategicamente pensadas para controlar e dominar o seu pensamento.

Uma comunicação social atenta, livre e independente é absolutamente fundamental para a qualidade da democracia.

Cá estamos novamente para este desafio!

Redação Gazeta da Beira

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