DESFOLHADA TRADICIONAL ANIMA A ALDEIA DO COVAL
Revivem-se tradições em Couto de Esteves

Fazendo jus ao reconhecido dinamismo dos seus dirigentes, a ACSCE promoveu na noite do passado dia 4 de outubro, em conjunto com o povo da pitoresca e bucólica aldeia do Coval, a “XIII Desfolhada Tradicional em Eira Típica”, proporcionando assim, aos habitantes locais e aos muitos forasteiros que visitam a freguesia nesta época do ano, uma viagem ao passado, recordando uma tradição enraizada no quotidiano desta comunidade.
Couto de Esteves possui, sem dúvida, uma relação impar com o seu património histórico-cultural. Todos os anos, uma parte desses usos e costumes é recuperada na desfolhada tradicional onde o milho é o “convidado de honra” para um grande convívio popular. Uma verdadeira noite tradicional, com as danças, os trajes e os cantares das vozes da terra. Na envolvência da desfolhada existe quase sempre, uma casa da aldeia onde é retratado o ambiente do antigamente, bem como espaços para mostra de gastronomia e artesanato locais.
O evento visa ainda preservar a tipicidade “coutense”, promover a identidade cultural e etnográfica de Couto de Esteves e relembrar o espírito de entreajuda comunitária da antiga desfolhada.
As desfolhadas realizavam-se depois do corte do milho nos campos, entre finais de setembro e o início de outubro e juntavam homens e mulheres que separavam as folhas do milho da maçaroca. À medida que a desfolhada decorria, iam-se amontoando as espigas em cestos que, depois de cheios, eram despejados no canastro ou espigueiro.
Mas este era também um dia aguardado pelos rapazes e raparigas que se juntavam ao grupo na expectativa de encontrar o milho-rei – uma maçaroca de milho vermelho – que segundo a tradição implicava um abraço e um beijo a todos os participantes na roda. Era uma oportunidade única para os jovens se aproximarem fisicamente (dar um beijo ou um abraço) das raparigas, das namoradas ou até das noivas, porque na época as convenções sociais eram muitas e a vigilância por parte dos pais era bastante apertada.
A desfolhada, esfolhada ou descamisada terminava sempre com uma festa, seguida de uma merenda ao som de concertinas, finalizando com um bailarico que durava até largas horas da noite.
Desde 1997 que esta iniciativa percorre as várias aldeias e lugares da freguesia, dinamizando algumas das suas mais belas eiras típicas, com os seus canastros – símbolo heráldico da freguesia de Couto de Esteves: 1997 – Couto de Baixo (Eira da Bouça); 1998 – Parada (Eira do Iteiro); 1999 – Catives (Eira do Fundo do Aido); 2000 – Couto de Cima (Eira da Acimada); 2001 – Mouta (Eira da Joana); 2002 – Cerqueira (centro histórico da aldeia); 2008 – Amiais (Eira Comunitária); 2009 – Lourizela (Eiras do Barbeiro e do Sapateiro); 2010 – Couto de Baixo (Eira Comunitária do sítio das Eiras); 2011 – Catives (Eira do Fundo do Aido); 2012 – Parada (Eira do Iteiro); 2013 – Couto de Cima (Eira da Quinta do Cabeço).
Visitando pela primeira vez o Coval, o lugar mais alto da freguesia e um dos que conta, a par com o Vilarinho e com o Barreiro, com menos população (c. de 20 habitantes), a desfolhada teve lugar na bonita Eira do Marques.
Para as cerca de 150 pessoas que passaram por esta eira, ficarão para sempre na memória o entusiasmo da desfolhada propriamente dita, enquadrada pelos cantares de antanho (“Quem tem milho rei, quem tem, quem será? Quem tem milho rei, a sorte lho dá.”), entoados por um encantador grupo de senhoras trajado a rigor, os habituais “comes e bebes” regionais, com especial destaque para a doçaria, oferecidos pela população e pela ACSCE, e a muita animação proporcionada quer pelo acordeonista Albino André, do Grupo de Folclore “Terras de Arões”, quer pela música ambiente, a cargo do Paulo André, que a todos prendeu noite adentro.
Por fim, um agradecimento muito especial a toda a população do Coval, pelo carinho, entusiasmo e competência colocados na organização deste evento, particularizando neste agradecimento os amigos Salvador Tavares (cedência da eira, do canastro e do milho), José Carlos Machado e Sandra André (responsáveis por toda a logística) e Almiro Machado (iluminação do espaço).
Texto de Mário SilvaRedação Gazeta da Beira
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