Defesa dos mirtilos vai ser com luta biológica
Defesa dos mirtilos vai ser com luta biológica

Fruto de uma parceria entre a Escola Superior Agrária (ESA) do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) e da Faculdade de Ciências e do Instituto de Ciência e Inovação da Universidade do Porto, nasceu o Projeto STOP Suzukii, financiado pelo Programa Compete,
O projeto arrancou em março e prolonga-se por três anos, “com o objetivo de estudar a viabilidade de usar artrópodes parasitoides/predadores da Drosophila suzukii para os integrar nas medidas de controlo sustentável, baixando assim a densidade da praga e os danos nos pomares de mirtilos.
Pretende-se desenvolver técnicas que controlem a praga de forma sustentável, através do desenvolvimento de armadilhas específicas e da identificação de artrópodes autóctones (a multiplicar no insectário) que possam ser utilizados como elementos de luta biológica. A ideia é aplicar a solução para combater a praga que ataca as plantações de mirtilo, provocando acentuados prejuízos
Atualmente existe o tratamento químico através dos inseticidas, mas o que se pretende é evitar esse tipo de tratamento. “Vamos observar se existem outros insetos que funcionem como predadores dessas mesmas moscas. Uma das formas de fazer a luta biológica é tentar encontrar outro organismo que faça o trabalho por nós, evitando o uso de químicos”, esclarece o professor Júlio Lopes, do IPCV.
Na verdade, já existe uma espécie que é comercializada por empresas em Portugal. “Esta espécie já é vendida para fazer largadas e os insetos atacam as moscas e evitam a sua propagação, mas é sempre introduzido material genético externo”, confirmou o professor Júlio Lopes. Perante esta realidade, com o projeto pretende-se “identificar um predador autóctone, que já exista na natureza em Portugal, e estudar a possibilidade de desenvolver e produzir esse predador em laboratório ou cativeiro para ter uma quantidade maior para usar nesta luta biológica”.
O Governo recomendava armadilhas e limpeza
Na região de Lafões e Castro Daire existem cerca de 250 produtores com uma área de 600 hectares onde predominam os pomares de mirtilos, muito atingidos por um surto de Drosophila suzukii, em 2018.
Na altura, os então deputados (BE) Pedro Soares e Carlos Matias interpelaram o Ministério da Agricultura, perguntando como iria o Governo assegurar “ajuda de emergência a estes pequenos produtores de mirtilos”, viabilizando a continuidade da fileira. Na resposta, o governo limitou-se a recomendar aos produtores uma atuação preventiva, quer com recurso a armadilhas, quer assegurando a limpeza dos pomares.
O Projeto STOP Suzukii que agora se anuncia poderá vir a introduzir um recurso mais eficaz no controlo da praga
16/09/2021

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