Crónicas do Olheirão por Mário Pereira
O Estado da Nação
O Estado da Nação
O debate sobre o Estado da Nação na Assembleia da República gerou reações interessantes. Se por um lado os números da economia: mais crescimento económico, mais emprego, etc… permitiram ao governo fazer um retrato positivo da nação; os partidos da oposição e as notícias diziam que o país está cada vez pior.
Todos sabemos que é muito fácil dizermos mal de alguém, mas muito difícil dar-lhe os parabéns por ter feito algo bom. Daí que antes e depois do debate houvesse na comunicação social uma busca por coisas que estão a correr mal nos serviços públicos ou na vida das pessoas.
Haverá sempre pessoas cuja vida piora e até as situações de maior prosperidade, que não é o caso agora, não são iguais para todas as pessoas. Imaginando que a vida de 90% das pessoas melhora haverá 10% que ficam na mesma ou pior, o que é muita gente.
A melhoria da vida de uns implica, muitas vezes, prejuízos para outros. Um exemplo disso é a descoberta dos antibióticos que melhorou a vida de quase todas as pessoas, mas foi um desastre para as pessoas que no Caramulo viviam dos sanatórios.
Encontrar pessoas, empresas ou serviços públicos a viverem uma fase má será sempre possível e inevitável, agora ou quando a atual oposição for governo.
A vida de cada um de nós pode ser afetada por acontecimentos que não controlamos, seja a inflação, o aumento dos juros, o desemprego, a falta de casa acessíveis, as doenças, etc… que podem criar grandes dificuldades a algumas pessoas e é por isso que precisamos de um governo e um estado organizados.
A avaliação que fazemos do estado da nação depende da realidade, mas também e muito das nossas expetativas. No meu caso o que supera as expetativas é a resistência do primeiro-ministro António Costa, que, por si só, é motivo para que várias pessoas vejam as suas expetativas e planos gorados e por isso tendam a ver a realidade vestida de negro.
Acabado o folhetim da TAP os partidos da oposição e alguma comunicação social parecem ter ficado sem assunto, ao ponto de um jornalista do Expresso escrever, no que seria a sua avaliação do estado da nação, que Portugal é um país saqueado pelo PS a quem imputava uma série de tropelias.
Teve azar, pois passados poucos dias, as notícias eram sobre o assalto à ALTICE, por gente insuspeita de ser do PS.
Esse texto e o roubo na ALTICE mostram que a nossa sociedade continua a fazer aos políticos exigências, que não faz a quem anda nos negócios.
Se for verdade que José Sócrates desviou 25 milhões, isso são 10% dos 250 milhões imputados ao Sr. Armando Pereira e associados, contudo o volume das notícias e comentários são inversamente proporcionais ao montante em causa…
O facto de, apesar destes roubos, a ALTICE dar lucros chorudos, é uma evidência de que pagamos demasiado pelas telecomunicações.
Um dos elementos do estado da nação que os partidos, a comunicação social e cada um de nós precisa de discutir com mais sentido crítico são os preços excessivos e as condições contratuais abusivas, que a ALTICE e outras empresas com grande poder nos impõem, pois podem ter mais influência na nossa vida do que muitas das medidas do governo.
27/07/2023

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