Crónicas do Olheirão por Mário Pereira
Obrigado TAP

Certamente há muitas e boas exceções, mas vou tomar como adquirido que os diretores e administradores da TAP constituem uma amostra representativa dos gestores a administradores das grandes empresas deste país e quero agradecer-lhes por tornarem evidente a incompetência que campeia entre eles.
O conjunto de casos ocorridos na TAP como indeminizações e salários milionários, a compra dos BMW e agora um cheque para andarem de UBER, tem de ser tomado como sintoma de problemas que merecem a nossa atenção pois ajudam-nos a perceber algumas das razões porque somos um país pobre.
Em primeiro lugar mostram que os gestores e diretores de topo perderam a ligação com a sociedade e também alguma réstia de bom senso.
A história do cheque para os diretores da TAP andarem de UBER é tão ridícula que é difícil acreditar que seja verdade. Eu pagaria para ver a TAP oferecer-lhe o passe para os transportes públicos, mas coitados não podem misturar-se com o povo.
Os diretores e os administradores da TAP ao aceitarem este tipo de benesses mostram não terem a mínima noção de que essas atitudes podem provocar repulsa e indignação entre os trabalhadores da empresa e na sociedade em geral, ainda mais num momento em que só têm esses empregos porque nós todos pagámos muitos milhões para que a TAP não tenha sido extinta.
Pelo que tenho lido, é consensual, que uma das competências básicas dos gestores é a capacidade para avaliar os impactos das suas decisões nas finanças da empresa, na motivação dos trabalhadores e na sociedade em geral.
Se não conseguiram prever as consequências nefastas destas decisões, não acredito que tenham competência para decidir a compra ou venda de um avião.
O grande argumento para que a TAP e muitas outras empresas paguem a este gestores e diretores, muito mais do que ganha o Presidente da República, é que se não lhes pagarem isso eles vão embora para o estrangeiro e as empresas ficariam sem tão ilustres cabeças.
Tenho as minhas dúvidas que esse risco exista, pelo contrário o que vemos é virem alguns do estrangeiro, nomeadamente para a TAP. Apostaria que 90% dos “grandes gestores” que ameaçam irem embora, se não lhes pagarem salários indecentes, nunca tiveram uma proposta para ir trabalhar no estrangeiro, até porque quando isso acontece costuma ser notícia nos jornais.
Face ao que temos visto, seria uma bênção se muitos dos gestores e diretores das grandes empresas emigrassem. Poderíamos não arranjar pessoas tão conhecedoras das manhas dos mercados e com tantas amizades, mas não seria difícil arranjar jovens com capacidades, ética de trabalho, bom senso e empatia com as pessoas e a sociedade para gerirem as empresas.
Problema grave é os jovens terem de ir embora por não encontrarem, nas empresas geridas por tão ilustre casta, condições de trabalho dignas.
26/01/2023

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