Crónicas do Olheirão por Mário Pereira
Poupanças que não fazem mal

Felizmente, nas últimas semanas tem chovido, pelo que, entre nós, a poupança da água deixou de ser assunto. Contudo, se no Inverno não pensarmos nas poupanças que poderemos fazer no Verão, teremos problemas cada vez maiores à semelhança do que acontece com o fogo nas florestas.
No sul de Portugal a falta de água é um problema sério e ao que se perspetiva também nós iremos viver mais verões de seca extrema. Há poucas semanas, tive oportunidades atravessar de carro, por estradas secundárias, as serras do Algarve e o Alentejo e deu para perceber, quão perto estamos de que se tornem de facto um deserto. Atravessei vários rios, que já foram caudalosos, até porque as pontes são altas e longas, onde não se vê uma gota de água.
No entanto na orla costeira vi campos de abacates, mangas e outros frutos tropicais verdejantes, porque são regados com a pouca água que existe.
A poupança da água é um problema porque as pessoas tendem a usar mais quando há pouca, razão pela qual estes dias, entre nós, o consumo de água é menor do que foi no mês de agosto.
O problema é que temos de adotar comportamentos que poupem água mesmo quando há muita para nos habituarmos para os dias em que há pouca. Embora cada um de nós possa reduzir o seu consumo de água, também pensamos que essa poupança é irrelevante e deixamos correr.
No Verão ouvi, na rádio, o Presidente da Câmara de Olhão dizer que tinha decidido deixar secar vários relvados em espaços públicos para reduzir o consumo e mostrar à população a necessidade poupar.
Entre nós continuamos a regar relvados em rotundas e o Parque Urbano de Oliveira de Frades, inaugurado há um ano, é um péssimo exemplo pela quantidade água de que precisa.
A guerra na Ucrânia veio reforçar a necessidade de pouparmos gás e combustíveis e claro a eletricidade que em boa parte ainda a é feita queimando gás.
Tem havido recomendações da Comissão Europeia para uma redução dos consumos até 15%, mas se a guerra continuar o problema pode agravar-se. É espantoso que apesar destas recomendações e do aumento dos preços, o que vemos são os presidentes das câmaras a queixarem-se dos custos, mas não vemos medidas práticas e com visibilidade pública para reduzir o consumo da eletricidade.
Claro que é muito mais simpático por mais uma lâmpada, que prometeram na campanha eleitoral, em troca de uns votos, do que desligar as luminárias que não representam acréscimos para a segurança de pessoas ou bens, ou por exemplo desligar a iluminação pública uma hora mais cedo de manhã, etc..
A redução dos consumos de energia num valor significativo seria um grande contributo para a vitória da Ucrânia numa guerra que também é nossa. A não ser que considerem indiferente sermos livres ou sermos dependentes de um ditador sem escrúpulos. Há, aliás, muita gente da direita, nomeadamente a mais extrema, e alguma esquerda para quem seria mais agradável puderem imitar o Putin do que viver em democracia.
Outubro de 2022 Mário Pereira
27/10/2022

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