Crónicas do Olheirão por Mário Pereira

Apontamentos sobre as eleições

Os resultados das eleições autárquicas, do passado dia 1 de outubro, não podem deixar de motivar alguns comentários, tanto no âmbito local como no nacional.

A nível local é relevante o reforço das votações do Partido Socialista em S. Pedro do Sul e do PSD em Vouzela, que não pode deixar de ser visto como o reconhecimento do trabalho realizado pelos respetivos presidentes da Câmara, cujas características comuns são a proximidade com as pessoas e um estilo com mais tendência para o consenso do que para o confronto.

Em Castro Daire a derrota do Partido Socialista, apesar da boa onda nacional, reflete algumas opções e polémicas de que os eleitores parecem não ter gostado.

O povo de Ventosa deu uma indicação clara, como foi regra a nível nacional, de que o regresso dos dinossauros da política não é particularmente apreciado.

Em Oliveira de Frades se alguém, há seis meses, tivesse previsto o resultado que se verificou seria considerado louco. Como todas as coisas pouco prováveis a vitória do Nós Cidadãos só foi possível pelo alinhamento de muitas circunstâncias.

Do lado do PSD houve um último mandato muito marcado pela conflitualidade e pelo agravamento das suspeitas de irregularidades várias na gestão que se avolumaram com as buscas realizadas pela Polícia Judicária.

O PS atravessa um fase de pouca vitalidade e sem capacidade organizativa.

O Nós Cidadãos foi um veículo para evitar as dificuldades burocráticas associadas à apresentação das candidaturas independentes e o resultado só foi possível pelo facto do Presidente eleito ter assumido uma postura de proximidade e envolvimento do máximo de pessoas em todas as freguesias e ter conseguido criar um movimento muito abrangente onde é possível encontrar pessoas com histórias de ligação aos vários partidos e pessoas que pela primeira vez se envolveram em atividades políticas.

O ambiente social e político que se vivia em Oliveira de Frades ficou bem evidente nos festejos da vitória do candidato Paulo Ferreira. Fizeram-me lembrar os tempos do 25 de abril em que pessoas que ao passarem umas pelas outras na rua, quando muito, trocariam um olá se abraçavam efusivamente como se festejassem a sua libertação.

A nível nacional os resultados em Lisboa e no Porto foram desastrosos para o PSD ao ponto de levarem Passos Coelho a deixar a liderança, pela primeira vez, o Partido Comunista assumiu  ter sofrido uma derrota e não reivindicou uma vitória moral e o Bloco de Esquerda teve nestas eleições os 4% dos votos dos seguidores mais fiéis.

A vitória de Isaltino Morais em Oeiras foi, particularmente, perturbadora, porque Oeiras é o concelho onde é maior a percentagem de eleitores com formação universitária.

É caso para perguntar o que ensinam as nossas universidades quando no concelho onde é  maior a percentagem de eleitores com educação universitária é eleito Presidente da Câmara um homem com cadastro criminal por crimes relacionados com casos de corrupção.

Quando questionadas porque preferiam Isaltino Morais as pessoas diziam que ele tinha feito uma grande obra no concelho, mas seria preciso ser muito inepto para não conseguir fazer obra num concelho com uma área pequena, densamente povoado e onde várias empresas de âmbito nacional têm a sua sede e por isso tem receitas enormes.

A desculpa que eu encontro é que não havia verdadeiras alternativas. A verdade é que olhando para os principais candidatos o seu lastro moral também não era muito estimulante.

O candidato do PS, foi concorrer em Oeiras depois de ter esgotado os seus mandatos na Amadora e por isso tinha um sabor a requentado.

O outro candidato independente cresceu como número dois de Isaltino e depois quando ele caiu em desgraça traiu-o, o que faz com que as razões para o preferir ao Isaltino fossem as mesmas que teríamos para preferir uma cópia ao original.

Mário Pereira   Outubro 2017

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