Crónicas do Olheirão por Mário Pereira
O que fazer com tanto COVID?

A evolução do COVID 19 está a colocar-nos perante escolhas complicadas, sobre as quais gostaria de ouvir os partidos políticos no que resta da campanha.
Os políticos estão a escudar-se atrás dos cientistas para não tomarem posição sobre a situação. Com todo o respeito pelos cientistas penso que há grandes diferenças entre ser um bom cientista ou um bom político.
Um dos problemas dos cientistas é com as suas investigações cada vez mais detalhadas e mais especializadas, podem ter uma análise muito fina de um assunto mas perdem a visão global.
É essa visão global que se espera da política e dos políticos, que podem não saber ler o ADN do vírus, mas têm de conseguir colocar em equação as caraterísticas do vírus, a sua transmissibilidade, a sua perigosidade, mas também o impacto que o vírus e as medidas para lidar com ele podem ter no sistema de saúde, na educação, na economia e na logística ou na saúde mental e física de nós todos.
Por isso quando um político argumenta que só pode tomar decisões com os dados da ciência está a tentar escapar à imensa complexidade do problema.
Dos cientistas espera-se que façam sempre as coisas bem-feitas e com toda a segurança, porque podem fazer e repetir as suas experiências dentro dos seus laboratórios, mas os políticos não podem dar-se a esse luxo e têm de decidir no momento correndo o risco das coisas correrem mal ou mesmo muito mal.
É a capacidade para compreender a globalidade dos problemas e para perceber os riscos que a comunidade pode e quer correr que distingue os bons políticos.
Mal comparado, diria que os políticos são os árbitros do futebol e os cientistas os comentadores. Uns têm de decidir em tempo real enquanto os outros podem ver imagens em câmara lenta e de vários ângulos para testarem as suas hipóteses. O problema é que se os árbitros decidissem ao ritmo dos comentadores ainda hoje estaríamos a assistir aos jogos da época passada.
Se os políticos esperarem até que os cientistas se ponham de acordo sobre as medidas a tomar, já a pandemia terá terminado e ainda estaremos à espera das medidas.
Relativamente ao COVID 19 a escolha agora é como viver com ele e já não o que podemos fazer para viver sem ele.
Estando nós perante uma variedade que tem perigosidade similar às gripes, talvez seja aconselhável fazermos o que fazíamos quando havia gripes e não havia COVID. Manter uma vida normal, vacinar, tentar prevenir os contágios e tratar as pessoas que adoecem com sintomas graves.
No dia-a-dia teremos de deixar a cada pessoa e a cada organização a responsabilidade de irem encontrando as formas de minorar os riscos e de se adaptarem às circunstâncias, pois não é possível nem desejável que os médicos ou as polícias estejam ocupados em controlar as pessoas infetadas em vez de fazerem o seu trabalho.
Mário Pereira – Janeiro de 2022
27/01/2022

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