Crónicas do Olheirão por Mário Pereira
Carta Aberta aos Deputados Eleitos por Viseu
Venho, por este meio, mui respeitosamente, dirigir-me aos deputados eleitos pelo distrito de Viseu, devo confessar que só me ocorre o nome de dois deles.
Hélder Amaral que de vez em quando vejo na televisão, sempre empenhado na defesa do Sporting e Pedro Alves que conheço porque nos encontramos numa entidade a que ambos pertencemos.
Embora eu saiba que os deputados depois de eleitos são deputados da nação e não do seu círculo eleitoral, venho solicitar o empenho de todos e em particular dos que conheço em duas questões que não sendo acauteladas colocam a nossa região – interior e pobre – em situação de ainda maior desvantagem face a outras regiões mais ricas.
A primeira questão relaciona-se com o serviço de telecomunicações.
Sei que todos se preocupam muito com o SIRESP, mas é muito urgente que se preocupem também com as comunicações dos cidadãos comuns.
Depois de ter esperado de outubro até março para que a ALTICE repusesse o serviço de telefone e internet na minha casa, no passado dia 4 de agosto fiquei sem serviço devido a uma avaria, que só seria reparada no dia 29.
Se não há, deveria uma lei que obrigue as operadoras de telecomunicações – que ganham dinheiro com a comercialização de um bem público – a assegurarem o serviço com o mínimo de qualidade e segurança. Além disso deveria ser normal que não mentissem aos clientes.
Quando comuniquei a avaria disseram-me que seria reparada em 48 horas. Como não vieram nesse prazo fiz vários contactos, de cada vez marcavam uma nova data – incluindo no dia 15 de agosto – e estive vários dias em casa à espera que aparecesse algum técnico da ALTICE e ninguém aparecia.
Foi preciso fazer uma reclamação junto da ANACOM, para vir um técnico da ALTICE no dia 29 agosto à hora que disse que vinha.
Pensei que tinha sido um azar meu, mas ao conversar com várias pessoas fiquei a saber que demoras e mentiras nas marcações de reparações das avarias são o padrão.
Do técnico que fez a reparação fiquei a saber que na rede de Aveiro costuma haver 80 avarias pendentes e que na rede de Viseu esse número nunca baixou das 400 desde os incêndios de 15 de outubro. Aliás, não admira que aconteçam muitas avarias, pois o que vemos nas nossas aldeias é uma enorme confusão de fios, uns novos outros velhos, uns nos postes outros pelo chão.
Que tal umas perguntas ao governo, à ANACOM e à ALTICE sobre esta situação?
O segundo ponto para o qual peço a melhor da Vossa atenção e toda a combatividade é a proposta da área metropolitana de Lisboa para que o Orçamento de Estado financie uma redução dos passes sociais em Lisboa. Parece que o Porto também se está a movimentar.
Caríssimos deputados, se esta medida entrar no Orçamento de Estado e não alargar esse apoio às nossas aldeias e a todas as outras e Vossas Exas e os Vossos ilustres colegas eleitos pelo interior do país não fizerem greve de fome, é porque já não estão vivos.
O custo dos transportes públicos nas nossas aldeias é enormíssimo. O passe mínimo com, direito a viagem de ida e volta, nos dias de semana é de cerca de 30€, mas há passes de 80€ que apenas permitem ir da aldeia à vila nos dias de semana e só nas semanas em que há aulas.
Eu sei que Vossas Exas não são utilizadores deste serviço e por isso são mais sensíveis aos custos das portagens, mas porque pagamos portagens a acontecer um benefício pago pelo Orçamento do Estado aos passes de Lisboa e do Porto seria duplamente injusto.
Dirijo-me em particular aos ilustres e caríssimos deputados que conheço pessoalmente, ambos dos partidos da oposição, sugerindo que façam oposição a partir destes dois tópicos.
O assalto a Tancos, a casa do Robles em Lisboa, a nomeação do procurador Geral da República, os atrasos na reconstrução em Pedrogão, etc… são tópicos interessantes, para “picar” os adversários e o governo, mas nada dizem a quem foi às urnas votar em Vossas Exas.
Grato pela atenção.
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