Crónicas do Olheirão por Mário Pereira

Gasolina Complicada

Há alguns anos atrás foi publicada uma lei que obriga todos os postos de abastecimento de combustíveis rodoviários a disponibilizarem a chamada gasolina simples, sem aditivos e por isso mais barata.

Por razões várias, passei nos últimos meses a usar com alguma regularidade os postos da GALP e descobri que abastecer gasolina simples é uma coisa muitíssimo complicada.

A primeira dificuldade é encontrar uma mangueira que diga. “gasolina sem chumbo simples 95”.

É frequente encontrar 4 ou 5 mangueiras com a indicação de gasolina 95 aditivada e não conseguir ver nenhuma com a indicação de gasolina simples. Em mais do que um posto andei à procura de uma mangueira com essa indicação e não encontrei nenhuma nas bombas principais.

No posto GALP na nossa região, que tenho usado ultimamente, a gasolina simples está fora da linha normal de bombas e colocada numa linha lateral juntamente com o gasóleo agrícola, o que não é um exclusivo da nossa região pois já me aconteceu o mesmo numa localidade do Alentejo.

Acresce que das duas últimas vezes que tentei lá abastecer gasolina simples a bomba estava fora de serviço.

Esta atitude da GALP é claramente um abuso e uma forma habilidosa de nos obrigar a pagar mais pela gasolina do que seria necessário.

Quando questiono os funcionários eles tendem a dizer que a gasolina aditivada é melhor e que no final fica mais económica.

Se isso fosse verdade eles não precisariam de o dizer e todos nós começaríamos a preferir a gasolina aditivada e não precisariam de nos dificultar a compra desse produto.

A conclusão mais óbvia que eu tiro desta história é que se a GALP torna difícil o abastecimento da gasolina simples é apenas e só porque ganha menos dinheiro com essa gasolina do que com a outra que dizem ser aditivada.

Eu por mim já sou grandinho e não preciso que os senhores e as senhoras do marketing da GALP  se preocupem comigo.

Pelo que me diz respeito, não se aborreçam, pois só vos peço que me deixem gastar o meu dinheiro à vontade.

Os acionistas destas empresas a única coisa que querem são os dividendos e infelizmente esquecem-se que têm responsabilidades perante os  clientes e os parceiros nos negócio.

Mas é pena que tantas pessoas, algumas delas do melhor que há e que trabalham nestas empresas, colaborem, sem se indignarem, com esquemas, que mais não são do que um abuso grosseiro e um insulto à inteligência das pessoas que precisam de comprar combustíveis.

Este é mais um caso em que uma grande empresa abusa da sua posição para impor práticas que violam os interesses dos consumidores e perante as quais as autoridades se mantêm completamente inativas.

O controlo destas situações está entregue a entidades ditas independentes, cujos presidentes ganham muito mais do que o primeiro ministro, mas que não conseguem controlar estes abusos, o que não nos deveria admirar pois nem sequer conseguem ver a combinação dos preços que os cartazes nas auto-estradas com preços todo iguais comprovam todos os dias.

Dado o estado de desenvolvimento da nossa sociedade um dos papéis de Estado não pode deixar de ser proteger-nos dos abusos destas grandes empresas, pois é cada vez mais claro que o único valor que orienta os seus acionistas e os seus gestores é a ganância.

Obter lucros é legítimo, mas recorrer a esquemas manhosos para extorquir dinheiro aos clientes ou ao estado é ganância.

A ganância leva as pessoas a esquecerem os valores morais e por isso é um dos maiores perigos dos nosso dias.

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