Crónicas do Olheirão de Mário Pereira

Desorganização ou má intenção?

Há alguns dias fui contactado por uma colaboradora da Altice /MEO, na qualidade de responsável das telecomunicações na entidade em que trabalho, dizendo que tínhamos de proceder a alterações nos contratos para passar as nossas linhas de cobre para fibra ótica.

Fui apanhado de surpresa no meio de outros afazeres e estava a pensar em tudo menos no cobre ou na fibra das linhas telefónicas, que no nosso caso são várias, mas achei estranho o telefonema, porque tinha a ideia de que em alguns sítios as linhas já são de fibra ótica, há algum tempo, e disse à senhora que já tínhamos fibra ótica e portanto o telefonema dela não fazia sentido.

Ela insistiu dizendo que a informação que tinha no sistema informático é que as nossas linhas ainda eram em cobre e que estava a contactar-nos porque tínhamos de mudar para a fibra uma vez que, em alguns locais, as linhas de cobre iriam ser desligadas.

Na minha inocência retorqui que em alguns dos locais tínhamos esperado anos para ligarem a fibra e que noutros ainda estamos à espera apesar terem prometido essa ligação.

Face à insistência, pedi ajuda à pessoa que controla as faturas e confirmamos que das várias ligações que temos apenas uma é em cobre, ainda assim a senhora insistia que os contratos que tínhamos eram para linhas de cobre e que era necessário fazer a alteração dos contratos.

Questionando o que significavam essas alterações ela explicou-me que tínhamos de alargar os períodos de fidelização e podíamos alterar os tarifários.

Depois expliquei à senhora que a nossa organização fez um concurso público para as telecomunicações e que as linhas de fibra faziam parte do caderno de encargos, pelo que se alguém está em falta é ALTICE. Só depois deste argumento a senhora desistiu.

É seguro que a senhora estava a telefonar da ALTICE porque tinha acesso aos nossos números e a dados como as extensões associadas.

Acredito que a senhora tivesse a informação que disse ter e que não estava a mentir, mas a ser assim alguém lhe deu informação errada.

Depois do telefonema dei comigo a pensar se foi por desorganização, que mandaram a senhora telefonar com base em dados errados, ou se foi um ação deliberada.

Conhecendo as práticas comerciais das operadoras de telecomunicações, que não primam pela transparência, não me custa a acreditar que seja uma desorganização organizada.

Acredito que, apanhadas de surpresa, muitas pessoas, que não tenham estas questões presentes, possam ser induzidas em erro e acabem por fazer novos contratos que não são necessários nem legítimos.

Basta que uma em cada dez das pessoas abordadas caia no engodo para imaginar o ganho que a ALTICE pode obter.

O marketing é legítimo, mas usar informações falsas não me parece.

26/05/2022 – Mário Pereira


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