Crónica do Olheirão por Mário Pereira

Ecopista do Vouga: exemplo da falta de cooperação

A Ecopista do Vouga fornece-nos abundantes exemplos da falta de cooperação entre municípios. Não é preciso falar do modo como está montado o projeto da Ecopista do Vouga, lançado pela Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, em que o custo das obras é afeto a cada município na exacta proporção da extensão da linha no seu território, esquecendo que os possíveis benefícios não são diretamente proporcionais à extensão da linha dentro de cada município.

Os municípios de Viseu e S. Pedro do Sul, têm extensões pequenas, mas vão retirar benefícios diretos do percurso que os liga atravessando o concelho de Vouzela, que na verdade terá relativamente poucos benefícios daquele troço, do mesmo modo que sem o troço de Oliveira de Frades a Ecopista nunca teria a mesma capacidade de atracão de pessoas para toda a região, incluindo para a cidade de Viseu. Este verão, apesar do atraso nas obras, já encontrei alguns  grupos de pessoas que vieram de fora, incluindo estrangeiros.

Já percorri a linha do Vouga desde S. Pedro até ao Carvoeiro deparando-me com situações que têm tanto de mesquinhas como de ilustradoras de um modo de pensar limitado pelos muros do concelho.

Antecipando-se ao projeto da CIM VDL a Câmara de S. Pedro do Sul construiu o troço entre as Termas e Negrelos e a Câmara de Vouzela o troço entre as Termas e o Monte Cavalo Ambos os troços estão muito giros, mas esqueceram-se de fazer a ligação nas Termas, sendo preciso fazer corta-mato e andar pela variante para conseguir passar do troço de Vouzela para S. Pedro do Sul.

No princípio deste Verão fui de bicicleta de Ribeiradio ao Carvoeiro, no concelho de Águeda, que diz ser a capital das bicicletas e das ciclovias encontrando  outras situações  curiosas.

No concelho de Sever do Vouga, entre o limite de Oliveira de Frades e Cedrim, não tinha sido feita qualquer limpeza e a pista estava reduzida a menos de metade, entre Cedrim e Paradela embora tivessem cortado as silvas e as ervas maiores o aspeto era descuidado, enquanto de Paradela ao limite do concelho de Águeda parecia que tinham aspirado a pista.      Contudo, chegados ao limite do concelho de Águeda a ciclovia desaparece e a antiga linha do comboio fica reduzida a um carreiro entre giestas e mimosas, até acabar numa estrada no Carvoeiro, sem qualquer indicação de como continuar até à Sernada.

Em suma, S. Pedro do Sul não ligou ao investimento feito por Vouzela, Sever do Vouga virou as costas a Oliveira de Frades e Águeda ignorou o esforço de Sever, mas depois passamos o tempo a dizer que a culpa dos nossos problemas é o pessoal de Lisboa.

Espero que na próxima campanha eleitoral se discutam estas pequenas situações, que evidenciam a tradicional falta de cooperação entre os municípios, que apesar dos avanços continua a ser uma das pechas do poder local.

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