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A Educação em Pequenas Histórias - Vamos às compras?

No dia 25 de novembro, são várias as efemérides relacionadas com compras: Dia de Lembrança das Compras, Dia de Não Comprar Nada e a famosa Black Friday, que se tem vindo a popularizar nos últimos anos no nosso país. Assim, optámos por partilhar uma pequena estória, relacionada com este tema.
«Estava mesmo zangada com ele. Como é que, um ser tão pequeno, me conseguia tirar assim do sério? Um ser tão pequeno em tamanho, que ainda por cima é sangue do meu sangue. Interiormente ouvia a minha mãe dizer-me: “Vês, vês, o que passei contigo!?!”. Este pensamento deixava-me ainda mais furiosa…
Respirei fundo. Pensei… Não me vou passar da cabeça, nem ameaçar, nem castigar. Sou uma mãe diferente, consciente e madura. Afinal, eu sou o adulto nesta relação.
Este exercício apela a um superpoder, o de nos mantermos conscientes e calmos, em momentos desafiadores, ainda mais como aquele, em público, em plena fila da caixa do supermercado.
Claro que atrás de mim tinha o crítico… há sempre alguém assim… que desabafa a sua discordância:
– Eles têm de saber quem manda! Qualquer dia é ele a mandar em si! Eu resolvia isso já com uma palmada!
Atestado de permissividade passado… a tensão cresce dentro de mim perante a birra e o julgamento alheio.
Respirei fundo novamente. Revi a minha lista de valores, a mãe que sou e que desejo ser e sorri, tendo a certeza de que quem me criticava, provavelmente, foi educado na base da palmada e não tem mais recursos que lhe permitam ser ou fazer diferente.
Baixei-me ao teu nível, olhei-te nos olhos. Olhos chorosos de quem queria levar para casa algo que lhe foi recusado. O meu olhar abraçou-te. Validei a tua emoção com as minhas palavras: “Vejo que estás chateado, muito chateado. Compreendo que gostes muito daquele carrinho e o quisesses levar para casa. Mas hoje não é possível.” A seguir procuramos juntos uma solução com a pergunta: “Achas que podemos divertir-nos juntos, fazendo uma corrida, com os carrinhos que temos, quando chegares a casa?”. Uns segundos de silêncio (pelo menos já não chorava). Suspirou fundo, como que a recuperar o fôlego e disse baixinho: “Sim mamã” e a seguir sorriu. Terminamos juntos e comigo a dizer-te: “Obrigada por aceitares a minha sugestão e por te teres conseguido acalmar”.
Nem sempre foi assim, antes de ter optado pela parentalidade positiva, a birra durava mais tempo e nem sempre a solução era tão imediata. Nem sempre eu me conseguia acalmar ao ponto de não ceder, ao ponto de não me zangar, ao ponto de não permitir que a vergonha me vencesse. Foi um caminho, de aprendizagem, de reconhecimento das minhas próprias emoções, para que depois pudesse encontrar alternativas aos gritos, à palmada e ao castigo (situações que nos deixavam ambos no mesmo ponto: tristes e de costas voltadas).
A capacidade de antever estas situações e de planear respostas diferentes a emoções que eu já conhecia ajudaram-nos neste caminho. E antes de entrar no supermercado, digo a mim própria: “Manter a calma e ter paciência não é ser permissivo, é ser consciente e maduro. É privilegiar a relação. É ensinar-te a ser um adulto que sabe gerir as suas emoções e procurar soluções. Sem dramas”.
E agora… vamos às compras?»
24/11/2022

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