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A Educação em Pequenas Histórias - Calma e paciência!

Time is passing. Blue hourglass close up

Olhei para o relógio mais uma vez… Bolas! Como o tempo voa… estávamos quase no final da sessão e a atividade que escolhemos fazer ainda nem ia a meio. Ou eu tinha tido mais olhos que barriga quando a preparei, ou hoje estavas a trabalhar mais devagar. Comecei a mostrar alguns sinais de impaciência.

Entretanto, o meu pensamento desviou-se para o relatório que tinha em atraso, e que já tinha sido solicitado pelo professor há uns dias. Suspirei, se calhar já não o iria conseguir terminar hoje (a não ser que fizesse serão à noite, em casa, outra vez). Tomada por este sentimento de desânimo, eu, que por norma sou a pessoa mais calma e paciente (não digo do mundo, mas do meu concelho talvez), dou por mim a proferir as seguintes palavras:

– Vamos! Assim não conseguimos fazer o nosso jogo no fim! – Pisco-te o olho.

Tu não disseste nada, continuaste ao teu ritmo, tranquilamente, até porque estavas (e muito bem) empenhado em fazer a tua tarefa.

Não satisfeita com o teu silêncio e centrada nas minhas preocupações, egoisticamente, voltei à carga:

– Não vamos conseguir terminar isto hoje!

Desta vez, a tua resposta não se fez esperar:

– Tens de ter paciência! – E sorriste, com aquele olhar traquino e afável com que me brindas sempre.

As tuas palavras soaram como campainhas de alarme na minha cabeça. Como poderia eu, que apregoo em todo o lado que não há duas crianças iguais, que cada uma tem o seu ritmo, cair nesta armadilha do relógio. Naquele dia era eu quem estava a aprender contigo, e que grande lição me deste!

Na viagem para casa, desliguei o rádio. Quis ter uma “conversa” comigo própria e com os meus pensamentos. A reflexão levou-me a concluir que, nem todos os dias consigo ser o exemplo que gostaria de ser. Que é fácil entrar em piloto automático e deixarmo-nos levar pelo stress, os afazeres e as exigências do dia-a-dia. Que uma das coisas mais difíceis que existe é mantermo-nos no momento presente e conseguirmos estar onde estamos, com quem estamos e simplesmente deixar fluir… Sem sermos escravos do horário e do implacável relógio. Nem sempre é fácil afastar de nós os pensamentos intrusos, usurpadores da nossa atenção.

Este é um verdadeiro desafio, que exige consciencialização e muito treino. Mas prometo que vou tentar estar mais consciente disto amanhã.

E assim termino a viagem com este pensamento… e o relatório para acabar.

27/07/2023


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