CRI / ASSOL
A Educação em Pequenas Histórias - Afinal consegue…
Little boy playing superhero at the playground
Quando comecei a trabalhar nas escolas pelo Centro de Recursos para a Inclusão – CRI, naturalmente, articulava constantemente com os professores e assistentes operacionais sobre os alunos que acompanhava, de forma a conhecê-los melhor.
Uma das alunas que eu acompanhava, quando chegava à escola, esperava na portaria até que a funcionária gentilmente telefonasse para a sala de apoio, solicitando a uma assistente operacional, que a viesse buscar.
Durante algum tempo, isto não me incomodou, mas a dada altura comecei a refletir sobre a necessidade de haver uma funcionária disponível para a vir buscar à portaria, se ela conseguia ir sozinha e sem ajuda! É verdade, que a aluna tinha dificuldades e todos queriam o melhor para ela, mas por que não, começar a tentar a sua deslocação, até à sala de apoio autonomamente? E assim foi!
Comecei por conversar com as funcionárias e com os professores sobre este assunto. Todos concordaram que seria possível e que tinham vontade de tentar, mas havia receio que a mãe não aceitasse, devido ao facto de a filha apresentar algumas dificuldades ao nível do equilíbrio.
Bem, nada melhor que reunir com a mãe para lhe propor este trabalho e perceber se esta concordaria que nós o começássemos a fazer. Inicialmente com supervisão, e gradualmente retirando os apoios, até que ela o conseguisse fazer de forma autónoma. A mãe concordou e assim começámos o trabalho.
No início, a aluna chegava à portaria e a funcionária informava a sala de apoio que ela tinha chegado. Uma outra funcionária, do cimo das escadas, ficava a observá-la a atravessar orgulhosamente o espaço da escola até chegar à escadaria. Aí, esperava-a para lhe oferecer ajuda, o que ela, confiante, recusava. Assim continuamos, durante algum tempo, até que… passamos à fase seguinte.
Cada vez que a aluna chegava, a portaria informava a sala de apoio, mas, já não havia necessidade de que a funcionária fosse ao seu encontro. Sendo assim, esta esperava que a aluna chegasse sozinha, sem necessitar de qualquer tipo de ajuda, à sala.
E realmente aconteceu, ela conseguiu! Chegou à escola, entrou pela portaria, deslocou-se até à sala de aula, como todos os alunos o fazem diariamente, de forma autónoma e cheia de alegria.
Muitas vezes, o excesso de zelo e de proteção, por maior boa vontade que tenhamos, acaba por condicionar o desenvolvimento e a autonomia dos nossos jovens. A nossa missão é dar-lhes a oportunidade de experimentar fazerem coisas sozinhos, avaliando os riscos, dando o apoio necessário, mas sempre, com o objetivo final de os tornar mais independentes e autónomos.
Isto faz com que, no futuro, os alunos possam ter mais oportunidades na sua vida pós-escolar, não sendo necessário tantos apoios, nem preocupação por parte das famílias. Tudo isto contribui para que os alunos sintam orgulho nas suas conquistas, melhorem a sua confiança e cresçam de forma mais saudável, abrindo-lhes portas para um futuro melhor.
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