Comerciantes não querem que a Serpa Pinto inverta o sentido do trânsito

A Gazeta da Beira foi à rua e deu voz aos comerciantes

Com a Gazeta da Beira deu conta na última edição, a Câmara Municipal de S. Pedro do Sul está a ponderar inverter, a título experimental, o sentido da Serpa Pinto. Na próxima sexta-feira, o Presidente da Câmara irá receber os comerciantes numa audiência, onde será abordado o assunto. Entretanto, circula via internet uma petição contra a proposta. A Gazeta da Beira foi à rua saber a opinião dos comerciantes. Os entrevistados disseram não a esta possibilidade e apresentam soluções para a dinamização do comércio na cidade.

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Euclides Caetano está na Rua Serpa Pinto há quase 30 anos. Acompanhou de perto as mudanças de uma rua que foi perdendo o movimento. “Era muito diferente, havia movimento, havia mais dinheiro”, recorda. Quanto à mudança de sentido da rua, o comerciante não concorda, “iria trazer ainda mais confusão, as pessoas estão assim habituadas”. Em vez disso, Euclides preferia a “abertura ao trânsito da Rua Direita, para haver uma melhor circulação”. Outra ideia que o comerciante defende e é a “aquisição de um comboio turístico que fizesse a ligação entre as Termas e o centro histórico, as pessoas vinham, entravam e compravam”, defende.

Daniela Costa, farmacêutica, também não concorda com a possível alteração do trânsito na Rua Serpa Pinto. “Com este novo sentido, as pessoas que vêm de Viseu, ou das Termas e de Vouzela já não vão passar por aqui. Tirando a Caixa Geral de Depósitos e os Correios, as pessoas têm alternativas a todas as outras lojas”. Daniela Costa destaca a importância dos estacionamentos na rua e reivindica, estacionamento e melhores acessos para pessoas com mobilidade reduzida.

Um autocarro que pudesse fazer a ligação entre a aldeias e o centro da cidade também podia ser uma solução para trazer mais movimento à cidade, já que, como defende, “há ainda muitas pessoas sem veículo próprio, com dificuldades motoras que, muitas vezes não têm alternativa ao táxi que, efetivamente, é muito caro”, explica.

Atualmente com 40 anos, é desde muito jovem que a farmacêutica se lembra da Rua Serpa Pinto, uma rua muito diferente da que conhece na atualidade. “Tinha um movimento caótico, muito diferente do que vemos hoje. Hoje quase que parece uma rua fantasma, com tantas lojas que vemos para alugar”, lamenta.

Também José Albuquerque não quer que a Serpa Pinto inverta o sentido. “Ficará muito pior, as pessoas que saem já não voltam. Assim, as pessoas ainda vêm e estacionam nas ruas perto da Câmara e ainda voltam, ao contrário as pessoas seguem e não voltam mais”, explica. Para o comerciante a melhor solução seria a rua Serpa Pinto abrir ao trânsito nos dois sentidos. Em alternativa, defende que os parquímetros, outra ideia em cima da mesa, poderiam vir a libertar alguns estacionamentos. A história de José Albuquerque com a Serpa Pinto é já longa. Mais de duas décadas. 20 anos, em que tudo mudou. Este é um assunto que a Gazeta da Beira irá acompanhar na próxima edição.Redação Gazeta da Beira

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