Coisas e Gente da Minha Terra por Nazaré Oliveira

Para a História do Teatro Amador em São Pedro do Sul - V

Para a História do Teatro Amador em São Pedro do Sul – V

(continuação)

 

Nos últimos anos da década de 40, o Teatro Amador volta ao palco do Cine-Teatro. Uma nova personagem tinha surgido como dinamizador e ensaiador: o Dr. Manuel Lourenço Dionísio, veterinário municipal que, vindo da Guarda, se fixou para sempre em São Pedro do Sul. Já não é o teatro musicado juvenil do tempo da Fernandinha Miranda. Volta-se às velhas comédias, ricas em trocadilhos e confusões, cujo objectivo era fazer rir.

É o caso da peça levada à cena em 9 de Junho de 1949 O Troca Tintas.

Os actores eram uma mistura de gente ainda jovem — Graciete Miranda, Elsa, João Pinheiro, António Guimarães, Custódio Rodrigues, Zé Dias — com gente mais madura e já com experiência de palco: D. Esmeralda Correia, veterana actriz de todos os espectáculos desde 1918, Cordália Rebelo , seu irmão António Rebelo e o próprio Dr. Dionísio, também actor, além de ensaiador.

José Fernandes de Almeida era o ponto sempre pronto, e João Figueiredo Lima, funcionário da Câmara sempre cumpridor das regras, ali, por ironia era o contra-regra.

A parte musical nos intervalos estava a cargo de Álvaro Duarte e da orquestra.

Este espectáculo teve honras de exportação: foi levado a Vale de Cambra.

Vejamos o PROGRAMA:

Foto 1

 

GRUPO DE BENEFICÊNCIA CULTURA E RECREIO

Foi este Grupo fundado (se é que assim se pode dizer) por um trio de jovens  de pouco mais de vinte anos — o Custódio Rodrigues, o Zé Dias e eu próprio — com o apoio do Maestro Álvaro Duarte que, para além da sua cultura musical, pôs gratuitamente à nossa disposição a sua tipografia. Com ele foram definidos os objectivos e redigidos uma espécie de estatutos que nunca foram publicados e muito menos oficializados, dada a duração efémera do Grupo. O trio desfez-se: o Custódio casou e dedicou-se às responsabilidades familiares e à actividade seguradora, o Zé Dias ao comércio e eu, pouco depois, iniciava a minha actividade de professor no Colégio, acumulada com as obrigações de aluno voluntário da Faculdade de Letras, pelo que não tinha tempo para mais.

E assim acabou o Grupo de Beneficência Cultura e Recreio de São Pedro Do Sul, que se ficou por um único espectáculo e morreu pouco depois de nascer: um nome pomposo, pretensioso e grande para uma pequena duração! O espectáculo de 1953 foi praticamente a sua única actividade cultural e filantrópica. Valeu a intenção!

Coube-me a honra de apresentar o Grupo. Por trás de nós tínhamos o apoio de uma boa Direcção Artística: o Dr. Marques Guimarães, o Dr. Dionísio, o Maestro Álvaro Duarte, o Marquês de Reriz e a segurança do eterno ponto José Fernandes de Almeida. O resto, além do velho Orfeão, era tudo gente moça da terra.

Vejamos o Programa:

Foto 2

 

O COLÉGIO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO NO PALCO DO CINE-TEATRO

Em 1955, os alunos do Colégio resolveram apresentar um espectáculo de variedades. Eu iniciava a minha carreira de Professor. Apelaram para mim. Com gosto e por dever de função, lá me encontrei envolvido na organização e coordenação da festa.

O Dr. Sales Loureiro, um dos directores do Colégio, escreveu um texto, à maneira de revista, Os Três Continentes, abordando o folclore de Portugal, Brasil e Angola. O Dr. Dionísio ensaiou a parte cénica, Álvaro Duarte, a parte musical e os bailados. Desde o vira do Minho, o fandango ribatejano, o corridinho do Algarve até ao Samba brasileiro e batuques e mornas africanas, tudo foi dançado e cantado pelos alunos e alunas do Colégio Arlindo Carvalhas, com a sua dose de “loucura” fantasista, foi vedeta, recriando uma Carmen Miranda bamboleante e outras figuras. Zé Luís Martins foi o brasileiro carioca de gema, a Alcina Portelo, a portuguesinha saloia. Foram os compères de serviço que introduziam os números do programa.

O espectáculo agradou e foi muito aplaudido. Nem outra coisa era de esperar, porque a casa estava cheia e a maior parte dos espectadores era constituída pelos familiares dos alunos.

(Continua)

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