COISAS e GENTE da MINHA TERRA por Nazaré Oliveira

PARA A HISTÓRIA DO TEATRO AMADOR EM SÃO PEDRO DO SUL (IV)

VIRA DO MAR, da esquerda para a direita: 1ª fila: Alcina Neves, Elsa, Graciete Miranda, Mª Amélia Pereira, Girão. 2ª fila: Lurdes Mendes, Clarisse Almeida, Olga Freitas, Fernanda (da Ponte). 3ª fila: Reinaldo Andrade, Carlos Mousaco, João Paiva, Gastão Carvalhas, Venceslau Freitas, Toni Teles.

(continuação)

Na sequência da crónica anterior, mais algumas fotografias dos espectáculos da FERNANDINHA MIRANDA. Pena que na última crónica sobre este assunto as fotografias tenham ficado tão reduzidas que não se identificam os figurantes, já que elas eram mais expressivas que o texto.

Estas fotografias e as da crónica anterior constituem um repositório da juventude sampedrense de meados dos anos 40. A Guerra Mundial tinha acabado meses antes e assim se divertia a juventude, transmitindo aos adultos a alegria de viver.

O FANDANGO, da esquerda para a direita: Reinaldo Andrade, Graciete Miranda, Elsa, Odete Clemente, Mª Amélia Pereira, Carlos Mousaco.

Este e todos os outros espectáculos, para além da sua finalidade cultural e recreativa, destinavam-se a fins de beneficência a favor de instituições sampedrenses. Neste caso, da Sopa dos Pobres. Dentro das limitações culturais de São Pedro do Sul, era uma geração da juventude sampedrense, prenúncio das gerações imediatas que iriam ter ao seu alcance um novo ambiente cultural, com a próxima criação do Colégio (1949).

ESPANHOLADA, da esquerda para a direita: Elsa e Reinaldo Andrade, Alcina Neves e Carlos Mousaco, Orlanda Duarte e Toni Teles, Odete Clemente e Zeca Miranda, Margarida (depois Gralheiro) e Zé Dias, Olga Freitas e Venceslau Freitas, Graciete Miranda e Gastão Carvalhas.

O Cine-Teatro esgotava a lotação. A maior parte dos espectadores era constituída por familiares dos intervenientes. Camarotes, frisas, plateia, geral e galerias, tudo repleto. O brilho das luzes e a orquestra a tocar davam ao ambiente um tom de festa prestes a começar. Não era um espectáculo em que uma qualquer companhia de profissionais viesse à província trazer a sua arte. Era um espectáculo em que, entre aqueles que iriam estar em palco e a plateia, havia um mundo de afectos. E nós, antes do começo, atrás do pano da boca de cena, espreitávamos para a plateia e víamos os nossos pais, avós, irmãos, tios, primos e demais parentela.

Zé Fernandes, o eterno ponto, enfiava-se no seu cacifo, ouviam-se as tradicionais pancadas de Molière, o pano subia, a orquestra atacava forte, rompiam os aplausos e o espectáculo começava. Era São Pedro do Sul a aplaudir São Pedro do Sul.

(continua)

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