Clarice Lispector, a ‘sentidora’, nasceu há 100 anos

Há precisamente cem anos, a 10 de dezembro de 1920, nasceu em Tchetchenilk, na Ucrânia, uma menina batizada com o nome de Chava que haveria de ser uma das mais singulares e consagradas autoras de língua portuguesa. Para assinalar o centenário de Clarice Lispector, “o Instituto Moreira Salles lança um site (claricelispector.ims.com.br)
em português e inglês”, que está disponível a partir de hoje, de acordo com uma notícia avançada pela Agência Brasil.
Esta agência de notícias informa ainda que este site terá “fotos, manuscritos, áudios, vídeos, cartas, aulas e textos críticos, muitos deles parte do acervo de Clarice e que o IMS tem sob sua guarda desde 2004”.
Um ano depois de Chava Pinkhasovna Lispector nascer, os pais emigraram para o Brasil, fixando-se inicialmente no Recife, cidade onde a menina que haveria de preferir usar o nome de Clarice Lispector aprendeu a ler.
Mais tarde a família mudou-se para o Rio de Janeiro, Clarice entrou para a Faculdade de Direito, e trabalhou como jornalista.
Em 1941, foi fazer uma reportagem ao Museu Imperial,em Petrópolis, onde conheceu o então Presidente Getúlio Vargas.
Dois anos depois, aos 23 anos, casou com Maury Gurgel, seu colega da faculdade, que ingressaria na carreira diplomática, dedicando-se inteiramente ao ofício da escrita, apesar de viver muitos anos fora até se separar em 1959.
Clarice escreveu em “Água Viva”, que detestava os domingos por serem “ocos”, quem sabe se por ter tido uma espécie de premonição sobre o tempo suspenso que envolveria o mundo no centenário do seu nascimento.
A sua biografia publicada no site “brasilescola” refere que o objetivo da obra de Clarice “é o de atingir as regiões mais profundas da mente das personagens para aí sondar complexos mecanismos psicológicos. É essa procura que determina as características específicas de seu estilo.
O enredo tem importância secundária. As ações – quando ocorrem – destinam-se a ilustrar características psicológicas das personagens. São comuns em Clarice histórias sem começo, meio ou fim”, porque ela dizia que mais do que escritora, era uma “sentidora”.
Mística e supersticiosa, em 1976, aceitou um convite foi convidada para representar o Brasil no Congresso Mundial de Bruxaria, na Colômbia.
Em novembro do ano seguinte, foi-lhe diagnosticado um cancro em estado avançado. Morreu um mês depois, um dia antes do seu 57º aniversário.
Deixou uma vasta obra como tradutora e autora que vai das crónicas para os jornais aos contos, novelas, romances e literatura para crianças.
Comentários recentes