Carlos Vieira e Castro*

As obras, as dobras e as sobras de Fernando Ruas

Cartoon por Carlos Vieira e Castro

Fernando Ruas aproveitou bem alguns fundos comunitários para a criação de infraestruturas (águas e saneamento), mas desperdiçou outros – como o Programa Polis – em obras megalómanas, como o túnel de Viriato e o funicular. Em detrimento da passadeira rolante apenas na Calçada de Viriato,  esta sua escolha resultou em muitas dezenas de pessoas hospitalizadas por enfiarem o pé na armadilha da calha dos cabos de aço.  Salvou-se o Parque Linear do PAVIA e a ecopista. O Parque Urbano da Aguieira ficou-se pelo esboço. Ruas quis fazer uma praia fluvial no parque urbano de Santiago. Mas como o rio Pavia não tinha água, mudou a praia fluvial para Alcafache. Azar dos azares, as salmonelas e as cianobactérias que poluíam as águas do Dão, fizeram com que a tão propagandeada praia fluvial, acabasse interdita a banhos. Ruas deixou Viseu sem parque de campismo, entregando o do Fontelo aos escuteiros.  Ruas deixou ruir o Centro Histórico enquanto os empreiteiros construíam em roda livre na periferia, onde também se iam instalando grandes superfícies, muitas vezes em duplicado.

Ruas chegou a afirmar na Assembleia Municipal que não se importava que Viseu fosse uma “cidade dormitório” e sem indústrias, por ser um sinal de que os viseenses iam trabalhar para os concelhos vizinhos mas regressavam à “cidade onde dá gosto viver”.  Numa entrevista chegou a apontar como exemplos do desenvolvimento de Viseu a Discoteca The Day After e o Palácio do Gelo (da Visabeira). E se nos últimos anos acabou por descobrir que a cultura dava votos e prestígio, começou por chamar “elefante branco” ao Teatro Viriato, dizendo que preferia construir um pavilhão polidesportivo porque ali se podia fazer teatro e num teatro não se pode jogar basquete.

Foi o próprio Almeida Henriques que afirmou, passados apenas dois anos do seu primeiro mandato, que tinha feito mais em dois anos pela economia do concelho do que o que fora feito nos últimos 40 anos, ali incluíndo, obviamente, o seu antecessor. Ora, se com Almeida Henriques foi “muita parra e pouca uva” – que o mesmo é dizer muitas promessas e poucas obras – nos 24 anos de Ruas pouco sobrou dos desperdícios e da confusão entre desenvolvimento e crescimento, entre modernizar  e  estragar.

*Activista do Núcleo de Viseu da Associação Olho Vivo

15/07/2021


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