Carlos Vieira e Castro

O regresso de Ruas seria um retrocesso de 30 anos!

O regresso de Ruas seria um retrocesso de 30 anos!

Também para Viseu Rui Rio cedeu ao populismo e, em detrimento da candidatura do vice-presidente da Câmara Municipal de Viseu (CMV), João Paulo Gouveia, vinhateiro e presidente da Concelhia do PSD de quem supostamente teria o apoio,  optou por Fernando Ruas. O faro populista de Rio  esquece-se de que já há 500 anos antes de Cristo, um filósofo pré-Socrático, Heráclito de Éfeso, percursor da Dialética de Hegel (que inspirou Marx),  havia descoberto que “nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio, porque outras são as águas que por ele correm”. É certo que a alternativa também não era recomendável: mergulharmos duas vezes no mesmo vinho! Mas o regresso de Ruas à CMV seria o mesmo que voltarmos a ter Cavaco como presidente da República: um retrocesso de 30 anos! Viseu, Parque Jurássico!

Não imaginamos Fernando Ruas, que recebeu, em 2009, a medalha de ouro da Societé Académique des Arts, Sciences et Lettres (e esta, hem?!), a ler Heráclito retendo apenas a teoria do “eterno devir”. Para Viseu seria dramático o regresso dos mortos-vivos!

Esta escolha caíu mal até a alguns dos seus correligionários, que a consideram “uma afronta à memória do próprio Almeida Henriques” a quem F. Ruas andou oito anos a assombrar como um fantasma. Recordo que Ruas recusou receber, no Dia do Município,  o Viriato de Ouro, a mais alta distinção atribuída pelo município de Viseu. Porquê? A resposta foi dada por Paulo Ferreira, subdirector do Jornal de Notícias, em 23.09.2014: “Porque queria uma festa só para ele. Não estava disposto a receber a distinção numa “cerimónia ao molho” (sic). Quer dizer: Fernando Ruas acha-se acima dos restantes galardoados (…). Andará bem a autarquia se, a partir de agora, seguir o sábio conselho de Balzac: “Deve deixar-se a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir”. Sim, porque, no caso, Ruas serviu-se da vaidade para esconder a acrimónia. Incomodado por a Câmara ter recusado pagar-lhe o subsídio de reintegração (uma coisa mais ou menos imoral aplicável a alguns titulares de cargos públicos), o eurodeputado viu neste episódio a possibilidade de espetar uma bofetada de luva branca na cara do seu sucessor. Não acertou – e sujou as mãos e os princípios da mais elementar cordialidade e bom senso.”

Sem mais!…

10/06/2021


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