Carlos Vieira e Castro*
PS, BE, PCP e CDS unidos em Viseu contra a cobertura da praça 2 de maio

Edição 801 (11/03/2021)
*Activista do Núcleo de Viseu da Associação Olho Vivo
Na Assembleia Municipal de Viseu, toda a oposição se uniu na apresentação de uma moção conjunta a repudiar o projecto de cobertura da Praça 2 de Maio e a associar-se ao movimento que deu origem à petição nacional de que falei na última crónica. A maioria do PSD chumbou a moção, mas fica o facto histórico de, pela primeira vez, PS, BE, PCP e CDS se terem unido contra “um grave e inadmissível atentado patrimonial e urbanístico” que “provocará um forte impacto visual que descaracterizará o centro da cidade”.
Almeida Henriques (AH) voltou a invocar o parecer da Direcção Regional de Cultura do Centro que citou: “De facto, não se crê que o efeito seja particularmente negativo, nomeadamente sobre os bens classificados cujas áreas de proteção abrangem esta localização, não havendo, efectivamente, relação directa com estes”. Mas AH esconde que o parecer tem um parágrafo peremptório: “As soluções propostas, genericamente, integram-se de forma adequada na pré-existência, quer formalmente, quer materialmente. CONSTITUI EXCEPÇÃO A ESTRUTURA DA COBERTURA, QUE PROVOCA INEGÁVEL IMPACTO NA ENVOLVENTE PRÓXIMA.”
Infere-se do parecer que só foi favorável porque os bens classificados (Casa da Rua D. Duarte e Casa dos Primes) tutelados pela DRCC estão relativamente longe da Praça que fica nas respectivas áreas de protecção, o que não prejudica o que destaquei anteriormente. Em 26 de Fevereiro, na qualidade de activista do Núcleo de Viseu da Olho Vivo, Associação para a Defesa do Património, Ambiente e Direitos Humanos, alertei o Movimento para estas incongruências do parecer. No dia seguinte foi publicado, no Jornal do Centro, uma posição conjunta de Dalila Rodrigues e Odete Paiva, directoras, respectivamente, do Mosteiro dos Jerónimos e do Museu Grão Vasco, onde estas gestores do património aprofundam as discrepâncias entre as apreciações técnicas da DRCC e a decisão final que contestam.
Entretanto, Fernando Ruas afirma, numa entrevista ao JC, que Siza Vieira lhe chegou a propor a cobertura do patamar superior. Lamentavelmente, o então edil de Viseu não divulgou publicamente aquele projecto. Almeida Henriques garante que as obras, já iniciadas, não param. Ambos farinha do mesmo saco na destruição do património!

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