Carlos Vieira e Castro

Trump não Ameaça só o Irão, mas Toda a Humanidade.

Trump decidiu violar território de um país soberano onde assassinou estrangeiros, incluindo o general Soleimani, a segunda figura mais importante do Irão que, embora ao serviço dos ayatollahs, foi um dos estrategas da luta contra o DAESH/ISIS, os terroristas criados pela Arábia Saudita, aliada dos EUA, iniciando um conflito de consequências imprevisíveis, que na pior hipótese poderá levar a uma guerra mundial, dado envolver países com capacidade nuclear, como os EUA, Israel, a Rússia e, provavelmente, o próprio Irão que já anunciou ir abandonar, por fases, o acordo nuclear assinado em 2015 com Obama e que Trump rasgou no ano passado, contrariando a vontade dos aliados europeus.

Face a esta agressão terrorista, o parlamento iraquiano aprovou uma resolução exigindo a saída das tropas dos EUA do Iraque. Nos EUA, em mais de 70 cidades, também houve manifestações contra os ataques norte-americanos e contra Trump que já ameaçou, em caso de retaliação do Irão, atacar 52 alvos bem identificados, incluindo locais “muito importantes para o Irão e para a cultura iraniana”, o que constituiria mais um crime de guerra, ao melhor estilo talibã e DAESH, e um crime contra a Humanidade. A directora-geral da UNESCO, preocupada com o rico e belíssimo património cultural do Irão, em particular o da antiga civilização persa classificado como Património da Humanidade, já veio chamar a atenção para as convenções internacionais para a protecção de património cultural mesmo em caso de conflitos bélicos, assinadas por ambos os países.

O governo de Portugal, que tem 34 militares no Iraque numa coligação liderada pelos EUA, não condenou o atentado ordenado por Trump, limitando-se a condenar o ataque de retaliação do Irão. O prémio será comprarmos o petróleo mais caro, em dólares, para ajudar a financiar o esforço dos EUA em manter as 800 bases militares espalhadas pelo mundo. Portugal continua subserviente da NATO, uma organização terrorista condenada pelo Parlamento Europeu pela responsabilidade nos sangrentos atentados bombistas de falsa bandeira da rede “Stay Behind” na Europa, dos anos 60 aos Aliás, foi a CÎA que planeou o derrube do primeiro-ministro iraniano, Mossadegh, restaurando a ditadura do xá Reza Pahlavi a quem forneceram um reactor nuclear com capacidade militar.

Trump e os falcões dos EUA podem ripostar com outros assassinatos mais ou menos selectivos, mas os últimos a rir poderão ser os fanáticos terroristas do DAESH. A menos que as heróicas milícias curdas, traídas pelos EUA e a braços com os ataques da Turquia, os voltem a vencer no terreno.

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