Carlos Vieira e Castro

Duplicação do ip3 em 85% do percurso satisfaz empresários e restantes utentes, excepto quem prefere que paguemos portagens numa auto-estrada privada

Na última sessão da Assembleia Municipal de Viseu, o prato forte foi a discussão acerca da requalificação do IP3. A culpada por uma discussão que se prolongou por cerca de duas horas, foi a deputada municipal do BE que apresentou uma moção de congratulação pelo anúncio do Governo da requalificação do IP3, duplicando-o em 85% do seu percurso. Catarina Vieira, que já tinha apresentado duas saudações, uma ao 1º de Maio (que seria votada conjuntamente com a da CDU) e outra à luta dos professores, ainda conseguiu ver aprovada (com apenas uma abstenção) uma Moção pela Rápida Autorização do Ministério das Finanças para a instalação da Unidade de Radioterapia no Hospital de S. Teotónio, tendo em conta que o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, prometeu que o concurso da obra seria lançado ainda em 2017 e estando quase a meio do ano, ainda o concurso não foi sujeito ao visto do Tribunal de Contas, por continuar a aguardar o visto do Ministério das Finanças, manifestando, assim, a AM de Viseu o desagrado por esta demora que põe em causa a saúde e a vida das populações abrangidas pelo Centro Hospitalar Tondela Viseu, e ainda outra moção de “Repúdio pelo corte nos apoios ao Teatro Viriato, em 17,5% e à ACERT em 40% “(por propostas de outros partidos foram acrescentados a Companhia de Dança Paulo Ribeiro e outras estruturas cujo trabalho também alastra para o nosso concelho, como  o Teatro Regional da Serra do Montemuro e a Binaural) “tendo em conta que não se pode ser saudável, que o mesmo é dizer, ser feliz, sem o pensamento e a emoção que provocam as Artes”. Esta moção teve os votos contra da bancada do PS.

 

MAIS PORTAGENS, SENHORES DO PSD?… NÃO OBRIGADO!

Mas, voltando à moção sobre o IP3, por que motivo o PSD votou contra, quando o anúncio feito pelo ministro do Planeamento, Pedro Marques, numa reunião com autarcas das Comunidades Intermunicipais de Viseu Dão Lafões e de Coimbra e o Conselho Regional do Centro, de duplicar o IP3, em perfil de auto-estrada, numa primeira fase em 85% do seu percurso, mereceu a satisfação de autarcas do PS e do PSD e das associações empresariais da Região de Viseu (AIRV) e do Conselho Regional do Centro, que lançaram, conjuntamente com a Associação Comercial de Viseu, a Associação Empresarial de Mangualde e a Associação Empresarial de Lafões, e a CIM Viseu Dão Lafões, a petição que reuniu mais de 18 mil assinaturas, para levar o Parlamento a debater a requalificação urgente do IP3?

Almeida Henriques pediu a palavra para lamentar que não tenha sido convidado para a dita reunião com o ministro, de que saiu o que considerou uma solução “curta”, sem calendarização das obras, e fez coro com o deputado Pedro Alves, líder da Distrital do PSD, que confessou “não  desistir” da auto-estrada para Coimbra.  O secretário da Mesa da AM, João Cotta, eleito nas listas do PSD, também presidente da AIRV, lamentou que o PSD não tenha ainda fechado o “ciclo da política do bota-abaixo”, continuando as picardias ao estilo de Ruas-Junqueiro, e justificou o seu voto a favor da moção do BE, porque, afirmou,  pode não ser o ideal, “mas  fico contente porque 85% dos problemas do IP3 vão ser resolvidos, de modo a que eu possa passar naquela via com mais segurança e haja menos mortos”.

Para além do voto a favor de João Cotta, houve ainda duas abstenções na bancada do PSD, (a do deputado José Alberto Ferreira e a do presidente de Junta de Vila Chã de Sá), mas a moção seria chumbada pela maioria de votos do PSD e do CDS.

No mínimo é suspeita esta posição do PSD e do CDS, perante um enorme consenso em toda a região a favor desta iniciativa do Governo, com a direita a dar prioridade à construção de mais uma auto-estrada com portagens, no que não passaria de mais uma PPPPP (“Parceria com Proveitos Privados e Prejuízos Públicos) Aliás, a moção do BE exigia ao ministro uma calendarização urgente dos trabalhos de requalificação da já apelidada “estrada da morte”.

Recordo, pela enésima vez, que o secretário de Estado do governo PSD/CDS, Sérgio Monteiro, ao apresentar a chamada “Via dos Duques” (que passava por entregar de bandeja uma auto-estrada já paga,  o IC12, ao concessionário), confessou numa entrevista, que se o Estado requalificasse o IP3, não haveria nenhum privado que se dispusesse a construir a auto-estrada.

Pois, claro, branco mais branco, não há! Razão tinha Catarina Vieira quando afirmou virada para as bancadas da direita:  “Só nos saem duques e cenas tristes!”

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