Carlos Vieira e Castro

“SEI DE UM RIO, SEI DE UM RIO...”

Sei de um rio…

Sei de um rio

Rio onde a própria mentira

Tem o sabor da verdade

Sei de um rio…

(fado de Alain Oulman/Pedro Homem de Mello)

 

Fim de semana alucinante. Adeptos do Sporting (90% dos votantes, mas, valha-nos isso, ainda uma ínfima minoria dos associados) votaram “em ombros” no mais boçal de todos os “padrinhos” da mafia futebolística e quase agrediram jornalistas, os profissionais que alimentam a imagem do “Duce” que mandou boicotar televisões e jornais. Por mim, Grunho de Carvalho pode ficar descansado: não leio jornais que só falem de futebol, nem perco tempo a ver debates sobre futebol. Os “paineleiros”, como lhes chamou, são tão originais e inteligentes que um artigo recente sobre inteligência artificial apontou entre as primeiras vítimas de profissionais a serem substituídos por robôs, os comentadores desportivos. Mais difícil será por um robô a liderar um clube de futebol, a menos que a investigação científica invista mais na “estupidez artifical”.

Fim de semana ruminante. Adeptos do PSD, encartados, esforçam-se para nos convencer a desligar a televisão para não ouvirmos o mesmo fado da “Rosa enjeitada” num interminável karaoke desafinado. Luis Montenegro resolveu imitar a bravata de Santana, com o fado corrido “Vou andar por aí..”, Cuidado! Uuuuuuuuuh! Santana não gostou de ser plagiado e deu-lhe uma vaia. Xôoooo!

Viseu baixou no ranking dos Congressos laranja. Ruas saiu da presidência da mesa e Almeida Henriques contentou-se com uma vice-presidência. Já o presidente da distrital de Viseu do PSD, teve azar, falou a seguir a Santana e a Rio, mas os militantes fizeram tanta chinfrineira que Ruas teve de lhe pedir que interrompesse o discurso para pedir silêncio aos congressistas. Por três vezes o fez e por três vezes Pedro Alves tentou fazer-se ouvir. À terceira, Ruas disse que quem quisesse conversar devia ir fazê-lo “lá para fora” e foi então que centenas de obedientes militantes se levantaram e deixaram o presidente da Distrital de Viseu a falar para as moscas, sobre o despovoamento do interior… Desanimado, Pedro Alves queixou-se para os jornalistas da composição das listas para o Conselho Nacional, por “Viseu não se sentir representado”. Ingrato, este rio onde Alves mergulhara de cabeça (como apoiante de Rio, enquanto A.H. apoiou Santana.

Sei de um rio, sei de um rio, entre o Douro e o Dão, que se chamou “Cavaquistão”, e secou!

Mas que futuro podemos esperar de um Rio que ao desaguar no Porto levou tudo de enxurrada: grupos de teatro e outros artistas acusados de “subsídio-dependentes”; arrumadores de automóveis, equiparados a praga de pedintes e toxico-dependentes; o Bairro do Aleixo, apontado como refúgio de “drogados” e outros pobretanas que não se compaginam com o apetite imobiliário dos caçadores de turistas?

A resposta, deu-nos a realizador João Salavisa, que tem, neste preciso momento, em competição no Festival de Cinema de Berlim, o seu mais recente filme, “Russa”, cuja acção se passa, precisamente, no Bairro do Aleixo: “Rui Rio é uma espécie de papão, de pesadelo que assombra a memória dos moradores do Aleixo. Trata-se de um tipo tenebroso e sinistro que decidiu brincar com a vida de centenas de pessoas para ceder aos interesses da especulação imobiliária. Há uma imagem dele muito paradigmática quando, na demolição da torre (do Aleixo), o vemos no Douro, num barco de luxo a fazer uma pequena celebração com champanhe e a brindar à demolição. Ele transforma aquele momento de aniquilação de uma comunidade numa celebração. E é este tipo que tem esta forma de estar na política e de jogar com a vida das pessoas que quer ser primeiro-ministro de Portugal…” (citação tirada de um artigo do deputado José Soeiro, em expresso.sapo.pt, a 16.02.2018, com o título “Como se faz um canalha”.

Mas se algum leitor acha que estou a ser demasiado “ideológico”, pense por que razão Rui Rio, entre as poucas ideias que deixou para o futuro ( o discurso a criticar o estado a que chegou o Serviço Nacional de Saúde e a Educação, não passa de uma auto-crítica laranja,  para se distanciar de Passos Coelho, que deixou aquelas conquistas de Abril em estado comatoso e ligadas às máquinas da Troika) destacou a reversão da prioridade dada por este governo ao aumento do consumo privado? Com Rio nada de devolução de rendimentos, de aumentos de pensões e reformas, de fim dos cortes nas prestações sociais, de menos carga fiscal para a maioria das famílias. Que o povo quanto mais ganha, mais gasta, como diria o incansável “empregador” Ferraz da Costa. E é este rio que evoca a sua pretensa nascente social-democrata, como se de tal fonte, alguma vez, em Portugal, tivesse brotado água que não fosse chorada. Que seca!

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