Carlos Vieira
Derrota de Bolsonaro foi vitória da democracia, do ambiente e dos direitos humanos
Democratas de todo o mundo suspiraram de alívio com a derrota de Bolsonaro que já dera demasiadas provas de ser um protofascista, ao apoiar a ditadura militar e defender a comemoração do golpe de1964; ao dedicar o seu voto a favor do “impeachment” a Dilma Rousseff ao coronel Ustra, o maior responsável pela tortura aos presos políticos da ditadura, como Dilma; ao defender o tenebroso Pinochet e chegar a considerar, numa entrevista em 1999, que a democracia não resolveria nenhum dos problemas do Brasil, sendo necessário “uma guerra civil e a morte de uns 30 mil, começando pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”.
Apesar da chuva de notícias falsas por parte da extrema-direita e do apoio de fanáticos evangélicos a Bolsonaro, o povo brasileiro defendeu a democracia que sofrera fortes ataques nas áreas da Saúde (a morte de quase 700 mil pessoas de Covid-19, levou a que Bolsonaro fosse “condenado” pelo Tribunal Permanente dos Povos por crime contra a Humanidade e grave violação dos direitos humanos, com a irresponsável desvalorização da pandemia que afectou principalmente as populações mais pobres, indígenas e negros); no Ambiente, com a destruição, em 2021, de mais 29% da floresta amazónica relativamente a 2020, em que já tinha crescido 30%, o que equivale à destruição de uma área de 8 campos de futebol por minuto. Dados oficiais mostram que em 2020 e 2021 foi destruída uma área de floresta superior a 2 mil campos de futebol. Só nesses dois anos foram assassinados 358 indígenas, os guardiões da floresta.
A fome atinge 33 milhões de brasileiros, numa regressão do esforço feito pelos governos de Lula e Dilma com os programas Fome Zero e Bolsa Família que retiraram da miséria 20 milhões de pobres.
Derrotado Bolsonaro, resta confiar que Lula, o PT e os seus aliados de esquerda (da direita e do centro que o apoiaram não se esperam milagres) não caiam mais nas armadilhas de um capitalismo selvagem controlado por uma élite corrupta e cleptocrata, dos oligarcas do agro-negócio aos banqueiros, herdeira de séculos de escravatura e de exploração desenfreada da mão-de-obra de homens e mulheres que merecem viver com mais dignidade e igualdade num país enorme, fértil e rico como é o Brasil.
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