Carlos Vieira

Países europeus entregam refugiados a governos criminosos

Países europeus entregam refugiados a governos criminosos

A justa luta de resistência do povo ucraniano à invasão do seu país por Putin, o autocrata que reprime a oposição democrática e de esquerda no seu país e promove a extrema-direita na Europa e no Mundo, não pode servir de pretexto para a expansão de uma força agressiva como é a NATO, com um triste passado de guerras (Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Síria), de apoio a ditadores (como Salazar), e de golpes contra governos democráticos, como o “Golpe dos Coronéis”, na Grécia,em 1967, e de atentados bombistas de falsa bandeira, que, só em Itália, assassinaram 491 pessoas e feriram 1181, entre 1969 e 1987, segundo a comissão de investigação do senado italiano. Estes atentados terroristas em vários países europeus, com operacionais de extrema-direita às ordens da NATO e da CIA, acusando fictícias organizações comunistas, levou o Parlamento Europeu a condenar a NATO e os EUA numa resolução, em 1990.

Foi a esta organização tenebrosa que os governos da Suécia e da Finlândia decidiram aderir, pondo fim a décadas de neutralidade e cedendo vergonhosamente às exigências para a retirada do veto da Turquia (um membro da NATO que tem massacrado o povo curdo), aceitando extraditar os refugiados e exilados curdos e turcos que o criminoso Erdogan considera “terroristas” (tal como Salazar considerava terroristas os movimentos de libertação das ex-colónias). E, no entanto, foram as milícias curdas que ajudaram a derrotar o DAESH/ISIS, ao mesmo tempo que constroem, no Norte da Síria, em Rojava, um auto-governo, com um confederalismo democrático, igualdade de género e justa distribuição de rendimentos.

Outra triste demonstração de hipocrisia foi a traição do primeiro ministro de Espanha ao povo do Sahara Ocidental, ao entregar a tutela desta ex-colónia ao governo ditatorial de Marrocos. Uma carta aberta subscrita por 677 personalidades (de vários quadrantes políticos) e organizações da sociedade civil apela ao governo português para reconhecer a “imprescindibilidade de realizar um referendo” (acordado, há 30 anos, no acordo de cessar fogo sob auspícios da ONU), no respeito pelo direito à autodeterminação do povo saharaui que luta há 47 anos pela liberdade e independência da última colónia de África.  Em Dezembro passado, doze ONG denunciaram violações dos Direitos Humanos no Sahara Ocidental ocupado ilegalmente.

Foram as forças policiais do reino de Marrocos, com a conivência dos guardas espanhóis, que, em 25 de Junho, em Melilla, território da UE, mataram cerca de 30 migrantes, entre milhares que fugindo de guerras, da pobreza e da fome, e fartos dos abusos desumanos das autoridades marroquinas, tentaram  passar a fronteira. Envergonha-nos a desumanidade, hipocrisia e duplicidade dos governos europeus no acolhimento de refugiados.

14/07/2022


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