Carlos Vieira
Europa Nostra 2023, na categoria “Campeões do Património”! (1ª parte)
Cláudio Torres é Prémio Europeu do Património Cultural

À memória do historiador José Mattoso, falecido no passado Domingo, aos 90 anos, que doou a sua biblioteca pessoal ao Campo Arqueológico de Mértola.
No passado dia 13 de Junho, a Comissão Europeia e a Europa Nostra atribuiram a Cláudio Torres o Prémio Europeu do Património Cultural Europa Nostra 2023, na categoria “Campeões do Património”, como reconhecimento pelo seu trabalho na promoção, valorização e conservação do património islâmico em Portugal, ao longo de mais de 45 anos, dirigindo o Campo Arqueológico de Mértola.
Cláudio Torres nasceu em Tondela, em 1939. É filho do historiador Flausino Torres, cujas obras colocam o povo no centro da História, numa perspectiva marxista que haveria de provocar o seu despedimento do Colégio Tomás Ribeiro, de Tondela, em 1961, a prisão pela PIDE e o exílio em Argel. Em 1967, Flausino juntou-se, em Bucareste, a Cláudio, que ali também se encontrava exilado, depois de preso pela PIDE, sofrer, sem falar, a tortura da estátua durante 9 dias seguidos e dois períodos de 3 e 7 dias e noites sem dormir, e da fuga à guerra colonial num barquito com cinco metros até Marrocos, na companhia da mulher e de mais cinco pessoas (odisseia registada no documentário, passado na RTP, “Cláudio Torres – Arqueologia de uma Vida”). Ambos se afastariam do PCP por discordarem da invasão da Checoslováquia pelo Pacto de Varsóvia, sem nunca abandonarem os ideais marxistas (Cláudio foi fundador do BE).
Cláudio Torres foi fundador e director da revista “Arqueologia Medieval”, autor de, entre outras obras: “O Gharb al-Andaluz” in História de Portugal, Vol.I, (direcção de José Mattoso), “A arte islâmica no Ocidente Andaluz” (em colaboração), in História da Arte Portuguesa (direcção de Paulo Pereira), “O Legado Islâmico em Portugal (em colaboração). É Doutor “honoris causa” pela Universidade de Évora, director do Parque Natural do Vale do Guadiana, entre 1996 e 2002, Prémio Sísifo da Universidade de Córdoba, Prémio Pessoa 1991, Prémio Nacional Memória e Identidade, da Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico, e foi o primeiro português representado no Comité Permanente do Património Mundial da UNESCO.
(Continua)
13/07/2023

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