Carlos Vieira

Professores unidos pela dignificação da classe e por uma escola pública de qualidade para todos!

Docentes e outros profissionais da Educação estão zangados e razões para isso não lhes faltam. Há muito tempo que lutam contra a precariedade que os obriga a andar com a casa às costas, durante anos, muitas vezes trabalhando “para aquecer”, isto é, a aceitar horários incompletos que quase não dão para pagar as deslocações e/ou o alojamento; pelo direito de progressão nas carreiras, negado pelas quotas e por um sistema injusto de avaliação; pela recuperação integral do tempo de serviço congelado  pela Troika (note-se que os governos regionais da Madeira e dos Açores já decidiram pagar faseadamente o tempo de serviço congelado dos seus professores);  pela dignificação da classe, desvalorizada socialmente até ao ponto de, agora, haver falta de professores nas escolas.

Os professores lutam ainda pela reposição da gestão democrática das escolas e contestam a municipalização do ensino pelo que isso significaria de porta aberta ao compadrio. Nos países em que a municipalização da Educação foi experimentada aumentaram as desigualdades entre municípios e reduziram-se os direitos laborais dos profissionais envolvidos. No Reino Unido, as políticas (neo)liberais (aqui defendidas pela IL) provocaram a falta de professores e quebra do nível do ensino. Nos Países Baixos, com um governo liberal, um relatório de 2018 mostrou o declínio acentuado do ensino. O partido da extrema-direita no nosso Parlamento, no programa às eleições de 2019, defendia a extinção do ministério da Educação e a abolição da escola pública.

A plataforma sindical que inclui a FENPROF e outras 6 estruturas sindicais tem a decorrer a greve por distritos. Também está a decorrer a greve por tempos, convocada pelo STOP.  A FNE marcou uma greve para 8 de Fevereiro. A 11 de Fevereiro, em Lisboa, terá lugar mais uma manifestação convocada pela FENPROF. Esperemos que tenha tanta ou mais gente como a que juntou cerca de 80 mil profissionais da Educação, em 14 de Janeiro, e a que juntou cerca de 100 mil, dia 28, ambas em Lisboa, convocadas pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação. Muitas associações de pais/mães estão solidárias com os professores na defesa de uma escola pública de qualidade para todos.

09/02/2023


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