Carlos Matias

Conselho de Lafões. Lafonia

Ed657_LafoesHá meses atrás, neste jornal, foi proposta a criação do Conselho de Lafões, associação para a cidadania de molde a suscitarem-se debates, com vista ao desenvolvimento conjunto dos municípios de São Pedro do Sul, Vouzela e Oliveira de Frades.

Associação com o objectivo principal, esclarece-se, de promover estudos, debates e conferências que possam, eventualmente, levar à conclusão que se torna imperioso restaurar o Concelho de Lafões com os territórios que integram nos nossos dias, os municípios de São Pedro do Sul, Vouzela e Oliveira de Frades e bem assim, se estas o entenderem as freguesias de Cedrim, Couto de Esteves, Alva, Gafanhão e parte das freguesias de Bodiosa e Ribafeita, confinantes, de acordo com as delimitações da Região natural de Lafões definidas pelo Vouzelenze Prof. Doutor Amorim Girão nos seus estudos.

O Conselho não é criado contra os órgãos autárquicos do três municípios ou dos municípios envolventes. Antes pelo contrário. As deliberações tomadas, conforme os casos, serão sempre submetidas à consideração das Assembleias Municipais, Juntas de Freguesia e Câmara Municipais respectivas e bem assim às instituições sociais de qualquer tipo existentes na região.

Os Estatutos da Associação estão já elaborados para legal formalização e registo. Na sua elaboração foram escutadas personalidades lafonenses das mais diversas origens sociais e formação política.

Conforme então se referiu neste jornal, importa que os “autonomistas” dos três Concelhos que pretendam que estes permaneçam “orgulhosamente sós” tenham a noção que Portugal hoje é um País só parcialmente independente … Depois de uma descolonização “bronka” – Moscovo e Washington” nunca souberam descolonizar – integramos uma Europa de onde vêm “emanações”, ordens, para serem cumpridas. Se não, não virão os tostões …

A Europa não sabe o que são freguesias. Nem conheçe a especifidade dos municípios portugueses – nunca leram Herculano – as suas origens ligadas ao triunfo dos princípios da liberdade, à emancipação das classes trabalhadoras camponesas, à luta contra os previligiados, à aliança com o poder régio, à organização e desenvolvimento do poder local, à administração e defesa do poder real, à garantia da independência nacional.

A Troika disse que não queria tantas freguesias. Uns tantos fingiram que protestavam. Um ror de freguesias foram extintas contra a vontade dos seus fregueses.

Os fiéis comentadores, políticos ou economistas que vemos todos os dias, às dezenas, nas televisões, não têm, na generalidade, formação, conhecimentos e vivências para propôr seja o que for acerca dos municípios.

Certas universidades em nome da democratização do ensino, estão a criar Doutores Bolonheses, ignorantes, muitos dos quais vão formar a classe política existente e muitos dos seus Ministérios.

Importa, por isso, em Lafões, que nos antecipemos.

Os Estatutos do Conselho de Lafões estão prontos, em vésperas de legalização. Quem pretenda ser associado terá então as informações mais detalhadas e esclarecedoras.

Todos nós sabemos o que é a Lusófonia.

Vamos criar e viver agora a Lafonia.

• Carlos Correia Matias

Redação Gazeta da Beira

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